Os portugueses deixam-se vender em troca dos votos...
Aumentos na função pública, medicamentos genéricos gratuitos para os idosos, mais umas injustiças laborais e siga...
As leis laborais dão imensos votos porque fazem muitas empresas reféns dos empregados, mas à conta disso proliferam as empresas de trabalho temporário e os recibos verdes...
Mas eleitoralmente falando, está bom, como tal, aumenta a precariedade e diminui a competitividade das empresas.
Enquanto os portugueses não perceberem que sem uma cultura de mérito e trabalho não vamos a lado nenhum pouco há a fazer.
A ideia de que existe uma fonte inesgotável de dinheiro, colónias para explorar, não terminou com a descolonização à custa do endividamento, mas até isso tem limites.
Recusam-se a reparar que as grandes empresas nas áreas das novas tecnologias preferem países mais caros, como a Inglaterra e ninguém se pergunta porquê...
Ataquem o Sócrates à vontade e depois reparem que ele é o reflexo da vontade nacional, em geral as medidas que ele toma têm o apoio da maioria da população.
É injusto o corte aos funcionários públicos, claro que é, é um corte cego que castiga tanto bons como maus trabalhadores, mas quando os próprios não exigem justiça salarial entre si, pouco há a fazer...
O Sócrates já é passado na política portuguesa e deverá ser ele mesmo a ditar o fim da política que temos tido desde o 25 de Abril, ou tomando as medidas que têm de ser tomadas (que ainda não são estas) ou demitindo-se para que seja o Passos a tomá-las.
Agora podemos olhar para o que se passa em perspectiva ou olhar para o chão e culpar quem elegemos, porque somos nós, os portugueses que fechamos os cargos de responsabilidade a pessoas sérias...
Somos nós que não exigimos leis que responsabilizem os políticos civil e criminalmente, somos nós que os deixamos ter mais direitos que o cidadão comum, quando deviam ter mais deveres.
Somos nós que os deixamos dizer o que quiserem na Assembleia da República sem terem de provar o que dizem... Motivo pelo qual abrem tantos noticiários...
Somos nós que desde o 25 de Abril, andamos a querer dinheiro sem saber muito bem de onde vem, nem quem o vai pagar...
07 novembro 2010
30 setembro 2010
Portugal
Portugal precisa que sejam tomadas medidas que a grande maioria da população não quer.
E as principais medidas que têm de ser tomadas, são medidas mais relacionadas com aquilo a que vulgarmente se designa meritocracia.
Ou seja, a introdução de uma cultura de mérito que promova a excelência, a produtividade e a inovação.
Indirectamente isso vai implicar uma grande purga de muitos que infelizmente não merecem o que ganham, mas também precisam de encontrar outra forma de subsistência que lhes permita também ser mais produtivos e quem sabe mais felizes.
É um problema tão grave que se estima que uma grande fatia dos mais competentes a nível nacional saia todos os anos no sentido de encontrar essas condições noutros países.
Ora, como o actual código do trabalho é uma vaca sagrada, e uma cultura de mérito é algo que é visto por muitos como mais exploração, o governo vai tomando as medidas que a população vai aceitando.
É uma lógica populista ou eleitoral como queiram chamar, mas vulgarmente os comentadores políticos admitem que as medidas necessárias ao país podem levar à queda do governo porque efectivamente não existe na população seriedade para admitir que são necessárias.
Agora, nada disto é novo, só que os governantes são obrigados a fazer um discurso optimista e escondendo certos pormenores, não só porque os eleitores não querem saber, como o facto de serem conhecidos causa uma grande perda da confiança na república, com o consequente aumento dos juros a pagar pela dívida e a maior dificuldade de os bancos portugueses se financiar.
Agravando a situação do país e de todos os que têm ou precisam de créditos, e de todos os que indirectamente estão relacionados com estes últimos.
Efectivamente as medidas a tomar, neste momento obrigariam a uma união entre o PSD e o PS e de acordo com muitos analistas poderia não só fazer cair o governo, como que ambos os partidos fossem fortemente castigados nas próximas eleições.
Deixando o caminho aberto a partidos como o CDS ou BE o que pode indiciar que essas reformas seriam inúteis porque seriam rejeitadas efectivamente pelos portugueses, logo nas eleições seguintes, já para não falar da reacção generalizada dos portugueses que poderia não ser pacífica.
Segundo uma vez me contaram, à uns anos o ex-PR Ramalho Eanes tentou criar um partido mais sério (o de então, não têm nada a ver com o de agora segundo me explicaram), mas rapidamente foi descartado pelos portugueses.
Por isso a questão para ser resolvida só lá ia com um aumento da qualidade da educação dos portugueses, que infelizmente têm vindo a diminuir ao longo dos anos, pelo que é algo complicado.
Depois os media, divertem-se em usar os ordenados brutos para causar revolta nas pessoas, porque muitas pessoas pensam que um ordenado bruto e um ordenado limpo é a mesma coisa, mas não é, até porque o ordenado bruto, pode ser considerado apenas os 11 ordenados que a pessoa trabalha efectivamente (que depois são distribuídos pelos 14 limpos). Por isso muitos ordenados de 2000€ brutos que tanto deixam as pessoas revoltadas na prática deverão até ser pouco mais de 1000€ limpos.
Muito haveria a dizer, como a questão das viaturas de luxo ou combustíveis, que contabilizam o seu custo por inteiro, quando na prática grande parte desse custo é receita para o estado, sendo que do ponto de vista prático a haver poupança a fazer ali não é de perto nem de longe os números fabulosos que escandalizam as pessoas.
Depois há a desinformação da saúde, com a ideia do utilizador pagador, as pessoas não fazem ideia dos custos reais dos tratamentos médicos e os seguros de saúde têm muitas excepções e excluem muitas pessoas por terem determinados factores de risco, para além de não serem vitalícios e o seu prémio disparar caso entretanto a pessoa passar a ter riscos ou custos acrescidos.
Quem não tiver seguro de saúde, vai adiar ao máximo a ida ao médico ou recusar os tratamentos, porque ter dinheiro para pagar não implica que a pessoa aceite ficar sem nada numa tentativa de sobreviver que nem é certa, tendo a opção de morrer e deixar esse dinheiro aos seus entes queridos.
Eu sei que todas as escolhas são hipócritas e que implicam vidas humanas, até quando se coloca portagens, isto porque se sabe que menos vão usar as autoestradas, causando mais acidentes (potencialmente mortais) e poluição nas alternativas (ex: CREL - Lisboa) com efeitos graves na saúde de muitas pessoas.
Mas é como a situação dos mineiros do Chile, a quantidade de dinheiro gasta no resgate quando se faz de conta que não se sabe que muitos naquele país deverão morrer há fome, tal como até deverá ainda acontecer por cá.
Ou a hipocrisia de um tratamento de cancro que por cá custa tanto que dava para salvar centenas de vidas em África, embora seja para engrossar as margens das farmacêuticas. As mesmas que fazem com que vacinas que por cá são pagas ou dadas a pequenas faixas da população, mas em África chegam a ser dadas em massa aldeias inteiras.
Todas estas questões devem ser pensadas por todos nós, porque sinceramente não sei as respostas do que é certo ou errado fazer em cada um dos casos, apenas tenho a noção de que todas as decisões têm consequências.
Na educação, aí é que está quanto a mim o maior erro do país, há muito tempo que se sabe que a formação das pessoas compensa em termos de lucro para o estado, isto porque pagam mais IRS, SS, IVA, etc e é por aqui que se devia trabalhar para se aumentar o ordenado médio em Portugal.
Só que com a forma como se têm vindo a deteriorar, há cada vez mais dinheiro desperdiçado e jovens que efectivamente não aproveitaram e como tal dão fortes prejuízo ao estado.
Mas como não há uma vontade por parte das pessoas de levar a sua formação a sério, a ideia é passar esses custos para os pais para que a levem a sério.
Muito mais haveria para dizer, porque a desinformação, o facilitismo e o populismo levam o nosso país a passos largos para o abismo, e não se iludam que não pode acontecer, porque deverá acontecer, segundo me explicaram, a actual força de trabalho que está agora a entrar no mercado é a menos formada e menos preparada para enfrentar isto, pelo que estamos a falar de um problema geracional, que vai demorar pelo menos uma geração a passar, só que desde o 25 de Abril que o problema se agrava.
Julgo que em certa medida isto poderá ser causado pela revolta contra o antigo regime que levou a deitar tudo fora, inclusive o que tinha de bom, passou-se do 8 para o 80.
Eu sei que nas conversas de ocasião é fácil chamar mentiroso ao Sócrates, nem é preciso recortes de jornal, a questão é, se ele fosse honesto teria sido eleito?
Haverá na política portuguesa espaço para homens honestos não-mentirosos?
Deixariam os portugueses?
Aí é que está, mesmo um homem 100% íntegro teria de mentir e manipular os portugueses para ser eleito, é impressão minha ou é uma contradição?
E para terminar, não, o maior problema do país não é, nem nunca foram os apoios sociais, mas sim a ausência de justiça em todo o lado, seja em quem recebe apoio, mas principalmente em cada posto de trabalho, em que uns não trabalham, outros trabalham e no final é igual para todos.
É principalmente esta última injustiça que faz com os ordenados sejam mais baixos, porque é a dividir por muitos na hora de receber e por poucos na hora de fazer.
Por várias vezes já ouvi que o ordenado médio limpo real em Portugal é pouco mais que o ordenado mínimo, acho que isto retrata bem a nossa realidade e a significância reduzida que têm os ordenados acima do mínimo.
Mas ainda assim, são estes ordenados que pagando mais impostos são perseguidos pelos media, uma distracção relevante em termos de audiência, mas que não contribui em nada para resolver os problemas do país.
Por isso meus caros, pensem e analisem bem as coisas, porque nas conversas ou bocas de ocasião é isso que o país precisa, as pessoas não são burras, fazem-se porque interessa, mas não o são.
Agora efectivamente neste momento o mais razoável para todos os portugueses é emigrar, para outros países onde a cultura seja mais favorável ao reconhecimento do seu mérito.
Porque mesmo aqueles que muitas vezes são grandes preguiçosos por cá, por vezes se revelam excelentes profissionais apaixonados pelo trabalho deles, deixando qualquer um boquiaberto.
Os que já são excelentes por cá, obviamente que não vão surpreender em termos do seu valor, mas em termos do reconhecido que por cá lhes era negado ou mesmo sequer considerado impensável.
E as principais medidas que têm de ser tomadas, são medidas mais relacionadas com aquilo a que vulgarmente se designa meritocracia.
Ou seja, a introdução de uma cultura de mérito que promova a excelência, a produtividade e a inovação.
Indirectamente isso vai implicar uma grande purga de muitos que infelizmente não merecem o que ganham, mas também precisam de encontrar outra forma de subsistência que lhes permita também ser mais produtivos e quem sabe mais felizes.
É um problema tão grave que se estima que uma grande fatia dos mais competentes a nível nacional saia todos os anos no sentido de encontrar essas condições noutros países.
Ora, como o actual código do trabalho é uma vaca sagrada, e uma cultura de mérito é algo que é visto por muitos como mais exploração, o governo vai tomando as medidas que a população vai aceitando.
É uma lógica populista ou eleitoral como queiram chamar, mas vulgarmente os comentadores políticos admitem que as medidas necessárias ao país podem levar à queda do governo porque efectivamente não existe na população seriedade para admitir que são necessárias.
Agora, nada disto é novo, só que os governantes são obrigados a fazer um discurso optimista e escondendo certos pormenores, não só porque os eleitores não querem saber, como o facto de serem conhecidos causa uma grande perda da confiança na república, com o consequente aumento dos juros a pagar pela dívida e a maior dificuldade de os bancos portugueses se financiar.
Agravando a situação do país e de todos os que têm ou precisam de créditos, e de todos os que indirectamente estão relacionados com estes últimos.
Efectivamente as medidas a tomar, neste momento obrigariam a uma união entre o PSD e o PS e de acordo com muitos analistas poderia não só fazer cair o governo, como que ambos os partidos fossem fortemente castigados nas próximas eleições.
Deixando o caminho aberto a partidos como o CDS ou BE o que pode indiciar que essas reformas seriam inúteis porque seriam rejeitadas efectivamente pelos portugueses, logo nas eleições seguintes, já para não falar da reacção generalizada dos portugueses que poderia não ser pacífica.
Segundo uma vez me contaram, à uns anos o ex-PR Ramalho Eanes tentou criar um partido mais sério (o de então, não têm nada a ver com o de agora segundo me explicaram), mas rapidamente foi descartado pelos portugueses.
Por isso a questão para ser resolvida só lá ia com um aumento da qualidade da educação dos portugueses, que infelizmente têm vindo a diminuir ao longo dos anos, pelo que é algo complicado.
Depois os media, divertem-se em usar os ordenados brutos para causar revolta nas pessoas, porque muitas pessoas pensam que um ordenado bruto e um ordenado limpo é a mesma coisa, mas não é, até porque o ordenado bruto, pode ser considerado apenas os 11 ordenados que a pessoa trabalha efectivamente (que depois são distribuídos pelos 14 limpos). Por isso muitos ordenados de 2000€ brutos que tanto deixam as pessoas revoltadas na prática deverão até ser pouco mais de 1000€ limpos.
Muito haveria a dizer, como a questão das viaturas de luxo ou combustíveis, que contabilizam o seu custo por inteiro, quando na prática grande parte desse custo é receita para o estado, sendo que do ponto de vista prático a haver poupança a fazer ali não é de perto nem de longe os números fabulosos que escandalizam as pessoas.
Depois há a desinformação da saúde, com a ideia do utilizador pagador, as pessoas não fazem ideia dos custos reais dos tratamentos médicos e os seguros de saúde têm muitas excepções e excluem muitas pessoas por terem determinados factores de risco, para além de não serem vitalícios e o seu prémio disparar caso entretanto a pessoa passar a ter riscos ou custos acrescidos.
Quem não tiver seguro de saúde, vai adiar ao máximo a ida ao médico ou recusar os tratamentos, porque ter dinheiro para pagar não implica que a pessoa aceite ficar sem nada numa tentativa de sobreviver que nem é certa, tendo a opção de morrer e deixar esse dinheiro aos seus entes queridos.
Eu sei que todas as escolhas são hipócritas e que implicam vidas humanas, até quando se coloca portagens, isto porque se sabe que menos vão usar as autoestradas, causando mais acidentes (potencialmente mortais) e poluição nas alternativas (ex: CREL - Lisboa) com efeitos graves na saúde de muitas pessoas.
Mas é como a situação dos mineiros do Chile, a quantidade de dinheiro gasta no resgate quando se faz de conta que não se sabe que muitos naquele país deverão morrer há fome, tal como até deverá ainda acontecer por cá.
Ou a hipocrisia de um tratamento de cancro que por cá custa tanto que dava para salvar centenas de vidas em África, embora seja para engrossar as margens das farmacêuticas. As mesmas que fazem com que vacinas que por cá são pagas ou dadas a pequenas faixas da população, mas em África chegam a ser dadas em massa aldeias inteiras.
Todas estas questões devem ser pensadas por todos nós, porque sinceramente não sei as respostas do que é certo ou errado fazer em cada um dos casos, apenas tenho a noção de que todas as decisões têm consequências.
Na educação, aí é que está quanto a mim o maior erro do país, há muito tempo que se sabe que a formação das pessoas compensa em termos de lucro para o estado, isto porque pagam mais IRS, SS, IVA, etc e é por aqui que se devia trabalhar para se aumentar o ordenado médio em Portugal.
Só que com a forma como se têm vindo a deteriorar, há cada vez mais dinheiro desperdiçado e jovens que efectivamente não aproveitaram e como tal dão fortes prejuízo ao estado.
Mas como não há uma vontade por parte das pessoas de levar a sua formação a sério, a ideia é passar esses custos para os pais para que a levem a sério.
Muito mais haveria para dizer, porque a desinformação, o facilitismo e o populismo levam o nosso país a passos largos para o abismo, e não se iludam que não pode acontecer, porque deverá acontecer, segundo me explicaram, a actual força de trabalho que está agora a entrar no mercado é a menos formada e menos preparada para enfrentar isto, pelo que estamos a falar de um problema geracional, que vai demorar pelo menos uma geração a passar, só que desde o 25 de Abril que o problema se agrava.
Julgo que em certa medida isto poderá ser causado pela revolta contra o antigo regime que levou a deitar tudo fora, inclusive o que tinha de bom, passou-se do 8 para o 80.
Eu sei que nas conversas de ocasião é fácil chamar mentiroso ao Sócrates, nem é preciso recortes de jornal, a questão é, se ele fosse honesto teria sido eleito?
Haverá na política portuguesa espaço para homens honestos não-mentirosos?
Deixariam os portugueses?
Aí é que está, mesmo um homem 100% íntegro teria de mentir e manipular os portugueses para ser eleito, é impressão minha ou é uma contradição?
E para terminar, não, o maior problema do país não é, nem nunca foram os apoios sociais, mas sim a ausência de justiça em todo o lado, seja em quem recebe apoio, mas principalmente em cada posto de trabalho, em que uns não trabalham, outros trabalham e no final é igual para todos.
É principalmente esta última injustiça que faz com os ordenados sejam mais baixos, porque é a dividir por muitos na hora de receber e por poucos na hora de fazer.
Por várias vezes já ouvi que o ordenado médio limpo real em Portugal é pouco mais que o ordenado mínimo, acho que isto retrata bem a nossa realidade e a significância reduzida que têm os ordenados acima do mínimo.
Mas ainda assim, são estes ordenados que pagando mais impostos são perseguidos pelos media, uma distracção relevante em termos de audiência, mas que não contribui em nada para resolver os problemas do país.
Por isso meus caros, pensem e analisem bem as coisas, porque nas conversas ou bocas de ocasião é isso que o país precisa, as pessoas não são burras, fazem-se porque interessa, mas não o são.
Agora efectivamente neste momento o mais razoável para todos os portugueses é emigrar, para outros países onde a cultura seja mais favorável ao reconhecimento do seu mérito.
Porque mesmo aqueles que muitas vezes são grandes preguiçosos por cá, por vezes se revelam excelentes profissionais apaixonados pelo trabalho deles, deixando qualquer um boquiaberto.
Os que já são excelentes por cá, obviamente que não vão surpreender em termos do seu valor, mas em termos do reconhecido que por cá lhes era negado ou mesmo sequer considerado impensável.
14 julho 2010
Amizade
O que é a amizade?
Será a amizade estar simplesmente lá para quando os amigos precisam?
Será a amizade confrontar os amigos, mesmo quando não querem?
Será apenas dar um ombro amigo e fazer de conta que compreendemos?
Sinceramente, não sei.
Sei é que não consigo ser amigo de ninguém sem ser sincero, frontal. O que é muito duro e muito complicado. Especialmente que nem sempre consigo dizer as coisas com a moderação que deveria, o que é lamentável.
Ainda hoje fui mais uma vez surpreendido por uma amiga minha e da Célia, que eu nem reconheci de tão diferente que estava.
Ela percebeu que não a tínhamos sequer reconhecido e veio então ela falar connosco, já não a víamos há mais de um ano, gostei bastante de a ver, muito mais alegre e bem disposta, e claro a vender saúde. :)
Eu sinceramente não sei que tipo de conversas terei tido com ela, mas sei que fui sincero com ela, tal como fui com todos naquele sítio. O que para muitos é uma grande crueldade.
O mais provável é ter sido mesmo cruel ou desagradável com ela, não sei, passei por alguns momentos muito complicados pelo meio, inclusive perdi uma amiga com cancro nessa altura. E nesse caso terei pecado por defeito, por ser uma amiga de longa data e nunca me ter passado pela cabeça que ela não estivesse a ser sincera. Quando percebi a forma como ela estava a encarar as coisas era tarde demais e isso puxou ainda mais por mim neste aspecto desagradável.
Lamento dizer, mas não dei o ombro para ninguém chorar, ouvia o que todos tinham para dizer, compreendia-os, mas sempre os motivei a encontrar alternativas, a lutarem por aquilo que os fazia felizes.
Nunca fui de pintar cenários cor de rosa, sempre fui de enfrentar a realidade dos factos e identificar os factores de risco associados.
Sempre fui de defender que os adamastores podem ser vencidos, desde que estejamos dispostos a isso.
A verdade é que esta não foi a primeira vez que fomos surpreendidos por antigos companheiros que já não víamos há imenso tempo, com os quais tinha tido este relacionamento controverso, na verdade foi pelo menos a 4ª vez.
Não sei qual o verdadeiro motivo pelo qual fazem questão de falar connosco quando seria mais fácil ainda simplesmente fazer de conta que não nos tinham visto ou reconhecido.
Terá sido porque num momento complicado das suas vidas sentiram que alguém não se esteve a borrifar para eles? Será por uma questão de pena? Não sei, o que sei é que tipicamente as pessoas me gostam de rotular de intrometido, de arrogante, de que tenho a mania, etc.
O que é engraçado é de que de uma forma ou de outra com estas pessoas até teríamos tido muito para falar caso tivesse existido essa oportunidade.
Um chegou a pedir-me para ir lá falar com ele à sala já que ia lá ficar umas boas horas, mas era uma área reservada e as salas não estão feitas para as pessoas estarem acompanhadas. E claro a minha reputação ainda deve ser conhecida pelos enfermeiros.
É que contrariamente às pessoas que fazem voluntariado nos hospitais, eu não dou palavras de conforto, é de desconforto mesmo, faço as pessoas sentir que podem efectivamente controlar e ultrapassar os problemas que têm.
É que quando acreditamos que não conseguimos, não conseguimos.
Por isso, tentando responder à pergunta, a função do amigo não é certificar-se de que os amigos não precisam de um ombro para chorar?
É certo que não tenho muitos amigos, é certo que sou bruto com eles, mas na maioria dos casos não me tenho de preocupar com eles, porque de uma forma ou de outra eles estão bem com a sua vida.
Sabem o que querem e muitas vezes até sabem bem o que penso das asneiras que andam a fazer, mas quando precisam ou eu preciso, é na hora.
O que é mais estranho, é socialmente ou melhor oficialmente nem sermos amigos, por este ou por aquele motivo, e estarmos por vezes muitos anos sem nos falarmos.
Mas quando nos encontramos é como se tivéssemos sido sempre grandes amigos.
Será este o desígnio da nossa sociedade, que obriga a amizade sincera a ser clandestina? Não sei, sei que por vezes a sociedade tem tendência a colocar uma carga sobre a amizade que não é real, tendo no meu caso chegado a por em causa a minha orientação sexual.
Actualmente o maior problema é sempre com as amigas, algumas casadas, outras com namorados, é sempre um bocado complicado. Uma vez estava a falar com uma na presença do marido e o homem não conseguia disfarçar o quanto incomodado estava, embora fosse uma conversa perfeitamente normal.
E eu até sou daquelas pessoas que evita ao máximo fazer elogios ao cabelo, à roupa ou aos sapatos, tocar ou dar beijinhos porque tento ao máximo evitar mal entendidos e problemas, apesar de saber quão importante é esse tipo de feedback para as mulheres.
Por isso, o moral da história, acho que é este, se tens muitos amigos sempre a chorar no teu ombro, então tu és parte do problema, não és parte da solução.
Será a amizade estar simplesmente lá para quando os amigos precisam?
Será a amizade confrontar os amigos, mesmo quando não querem?
Será apenas dar um ombro amigo e fazer de conta que compreendemos?
Sinceramente, não sei.
Sei é que não consigo ser amigo de ninguém sem ser sincero, frontal. O que é muito duro e muito complicado. Especialmente que nem sempre consigo dizer as coisas com a moderação que deveria, o que é lamentável.
Ainda hoje fui mais uma vez surpreendido por uma amiga minha e da Célia, que eu nem reconheci de tão diferente que estava.
Ela percebeu que não a tínhamos sequer reconhecido e veio então ela falar connosco, já não a víamos há mais de um ano, gostei bastante de a ver, muito mais alegre e bem disposta, e claro a vender saúde. :)
Eu sinceramente não sei que tipo de conversas terei tido com ela, mas sei que fui sincero com ela, tal como fui com todos naquele sítio. O que para muitos é uma grande crueldade.
O mais provável é ter sido mesmo cruel ou desagradável com ela, não sei, passei por alguns momentos muito complicados pelo meio, inclusive perdi uma amiga com cancro nessa altura. E nesse caso terei pecado por defeito, por ser uma amiga de longa data e nunca me ter passado pela cabeça que ela não estivesse a ser sincera. Quando percebi a forma como ela estava a encarar as coisas era tarde demais e isso puxou ainda mais por mim neste aspecto desagradável.
Lamento dizer, mas não dei o ombro para ninguém chorar, ouvia o que todos tinham para dizer, compreendia-os, mas sempre os motivei a encontrar alternativas, a lutarem por aquilo que os fazia felizes.
Nunca fui de pintar cenários cor de rosa, sempre fui de enfrentar a realidade dos factos e identificar os factores de risco associados.
Sempre fui de defender que os adamastores podem ser vencidos, desde que estejamos dispostos a isso.
A verdade é que esta não foi a primeira vez que fomos surpreendidos por antigos companheiros que já não víamos há imenso tempo, com os quais tinha tido este relacionamento controverso, na verdade foi pelo menos a 4ª vez.
Não sei qual o verdadeiro motivo pelo qual fazem questão de falar connosco quando seria mais fácil ainda simplesmente fazer de conta que não nos tinham visto ou reconhecido.
Terá sido porque num momento complicado das suas vidas sentiram que alguém não se esteve a borrifar para eles? Será por uma questão de pena? Não sei, o que sei é que tipicamente as pessoas me gostam de rotular de intrometido, de arrogante, de que tenho a mania, etc.
O que é engraçado é de que de uma forma ou de outra com estas pessoas até teríamos tido muito para falar caso tivesse existido essa oportunidade.
Um chegou a pedir-me para ir lá falar com ele à sala já que ia lá ficar umas boas horas, mas era uma área reservada e as salas não estão feitas para as pessoas estarem acompanhadas. E claro a minha reputação ainda deve ser conhecida pelos enfermeiros.
É que contrariamente às pessoas que fazem voluntariado nos hospitais, eu não dou palavras de conforto, é de desconforto mesmo, faço as pessoas sentir que podem efectivamente controlar e ultrapassar os problemas que têm.
É que quando acreditamos que não conseguimos, não conseguimos.
Por isso, tentando responder à pergunta, a função do amigo não é certificar-se de que os amigos não precisam de um ombro para chorar?
É certo que não tenho muitos amigos, é certo que sou bruto com eles, mas na maioria dos casos não me tenho de preocupar com eles, porque de uma forma ou de outra eles estão bem com a sua vida.
Sabem o que querem e muitas vezes até sabem bem o que penso das asneiras que andam a fazer, mas quando precisam ou eu preciso, é na hora.
O que é mais estranho, é socialmente ou melhor oficialmente nem sermos amigos, por este ou por aquele motivo, e estarmos por vezes muitos anos sem nos falarmos.
Mas quando nos encontramos é como se tivéssemos sido sempre grandes amigos.
Será este o desígnio da nossa sociedade, que obriga a amizade sincera a ser clandestina? Não sei, sei que por vezes a sociedade tem tendência a colocar uma carga sobre a amizade que não é real, tendo no meu caso chegado a por em causa a minha orientação sexual.
Actualmente o maior problema é sempre com as amigas, algumas casadas, outras com namorados, é sempre um bocado complicado. Uma vez estava a falar com uma na presença do marido e o homem não conseguia disfarçar o quanto incomodado estava, embora fosse uma conversa perfeitamente normal.
E eu até sou daquelas pessoas que evita ao máximo fazer elogios ao cabelo, à roupa ou aos sapatos, tocar ou dar beijinhos porque tento ao máximo evitar mal entendidos e problemas, apesar de saber quão importante é esse tipo de feedback para as mulheres.
Por isso, o moral da história, acho que é este, se tens muitos amigos sempre a chorar no teu ombro, então tu és parte do problema, não és parte da solução.
15 julho 2009
O problema da fusão de papéis
Hoje um dos temas quentes do twitter foi precisamente a questão da segurança, ou melhor dizendo das suas falhas de segurança.
Existem quanto a mim, duas grandes fontes destes problemas, por um lado os clientes, sejam internos ou externos, pagam funcionalidades e dão a segurança como um dado adquirido, os prazos são geralmente apenas pensado em termos de funcionalidades, por outro lado, existe o problema da fusão de papeis, tarefas que deviam ser executadas por pessoas diferentes são na realidade executadas pelas mesmas pessoas.
Mesmo no caso do desenvolvimento de software, o developer têm um reforço positivo quando os testes correm, e um reforço negativo quando quebram.
Como o seu cérebro funciona no sentido dos reforços positivos, isto motiva o developer a corrigí-los e a não quebrá-los, mesmo quando tem mesmo de o fazer para avançar.
A situação piora quando o developer quer testar a sua aplicação, criando novos testes, sendo de certa forma traído pelo seu próprio cérebro que não o ajuda a criar bons testes para o quebrar.
No entanto existem possíveis soluções, como gerar testes aleatóriamente ou todos os casos possíveis (quando é possível), ou recorrer apenas aos use-cases e depois ir adicionando à medida que vão sendo reportados bugs.
Mas a melhor solução é sem dúvida ter um tester especializado, idealmente até pode ser um gajo do contra, cujo prazer lhe vem apenas de encontrar falhas no trabalho dos outros, o que importa é que ele tenha prazer em encontrar bugs e a reportá-los para que possam ser criados os testes.
Quando falamos em termos de segurança, a situação é ainda mais complicada, porque normalmente as consequências são maiores, pelo que a questão dos reforços é ainda mais evidente.
Obviamente não é dizer que o developer não deva perceber de segurança, claro que sim, o máximo possível, mas o objectivo dele é protecção, o tester é penetração.
Eu sou a favor de disputas amigáveis entre developers e testers.
Existem quanto a mim, duas grandes fontes destes problemas, por um lado os clientes, sejam internos ou externos, pagam funcionalidades e dão a segurança como um dado adquirido, os prazos são geralmente apenas pensado em termos de funcionalidades, por outro lado, existe o problema da fusão de papeis, tarefas que deviam ser executadas por pessoas diferentes são na realidade executadas pelas mesmas pessoas.
Mesmo no caso do desenvolvimento de software, o developer têm um reforço positivo quando os testes correm, e um reforço negativo quando quebram.
Como o seu cérebro funciona no sentido dos reforços positivos, isto motiva o developer a corrigí-los e a não quebrá-los, mesmo quando tem mesmo de o fazer para avançar.
A situação piora quando o developer quer testar a sua aplicação, criando novos testes, sendo de certa forma traído pelo seu próprio cérebro que não o ajuda a criar bons testes para o quebrar.
No entanto existem possíveis soluções, como gerar testes aleatóriamente ou todos os casos possíveis (quando é possível), ou recorrer apenas aos use-cases e depois ir adicionando à medida que vão sendo reportados bugs.
Mas a melhor solução é sem dúvida ter um tester especializado, idealmente até pode ser um gajo do contra, cujo prazer lhe vem apenas de encontrar falhas no trabalho dos outros, o que importa é que ele tenha prazer em encontrar bugs e a reportá-los para que possam ser criados os testes.
Quando falamos em termos de segurança, a situação é ainda mais complicada, porque normalmente as consequências são maiores, pelo que a questão dos reforços é ainda mais evidente.
Obviamente não é dizer que o developer não deva perceber de segurança, claro que sim, o máximo possível, mas o objectivo dele é protecção, o tester é penetração.
Eu sou a favor de disputas amigáveis entre developers e testers.
25 junho 2009
Público vs Privado
Existe uma coisa que eu acho uma certa piada, é que as pessoas acham que só tem mal tornar as coisas públicas, que privadas não faz mal.
Seja o que se for que se faça, desde que fique privado, que nunca se saiba, que ninguém saiba, não faz mal.
E se souber desde que ninguém acredite, que quem o disser caia no ridículo, não tem mal.
Então e os factos, a verdade, já nada disso importa?
Serei assim tão idealista?
PS: Eu sei, já pareço um jornalista... LOL
Seja o que se for que se faça, desde que fique privado, que nunca se saiba, que ninguém saiba, não faz mal.
E se souber desde que ninguém acredite, que quem o disser caia no ridículo, não tem mal.
Então e os factos, a verdade, já nada disso importa?
Serei assim tão idealista?
PS: Eu sei, já pareço um jornalista... LOL
20 junho 2009
Porque é que ninguém investiga em Portugal
Tecnologicamente falando, o meu cavalo de batalha, é algo que se pode considerar como um dialecto de Model Driven Architecture ou Intentional Programming.
Já não basta em Portugal a mentalidade ser muito contra quem se atreve a fazer alguma coisa, volta e meia uma pessoa leva com investidas que tentam de alguma forma desacreditar o trabalho de anos e se possível sacar alguma coisa para re-implementarem ou fazerem bonito numa entrevista de trabalho.
Por exemplo, já me pediram directamente para explicar como funcionava a minha framework de testes para que fizessem boa figura num emprego (do qual acabou por ser despedido pouco depois), e tive uma reacção muito negativa quando tentei explicar que a pessoa estava a querer que lhe desse meses de trabalho em troca de nada.
Há uns tempos tive uma longa discussão com um desses amigos que me confrontou com uma framework de MDA em questão, e até lhe fiz o favor de a analisar e de a comparar. De facto era uma framework bastante evoluída face à minha, no entanto algumas especificadades da minha fazem-me com que por agora continue com ela. O que não quer dizer que no futuro a minha decisão seja a mesma ou que se fosse começar agora teria começado a minha em vez de usar directamente essa.
À uns tempos, porém falei com uma pessoa que admirei ao longo do meu curso no IST, era um colega mais velho que sempre admirei pelos seus vastos conhecimentos e projectos em que se envolvia com resultados positivos.
Expliquei-lhe em linhas gerais a minha linha de trabalho, ele depois pediu-me que lhe explicasse e mostrasse um pouco da DSL principal que uso. Quando ele me perguntou que vantagens tinha em relação a um qualquer outro ambiente de desenvolvimento, fiquei um pouco estupefacto e respondi-lhe as vantagens genéricas destas abordagens como independência de plataforma ou separação de preocupações.
Mas se aquilo em que trabalho é completamente irrelevante em termos de produtividade, porque é que o Intentional Programming que é um projecto de investigação com mais de 20 anos ou se investe tanto em MDA? Porque é que a Microsoft vai lançar no próximo VS suporte a DSLs? Acho que nem merece resposta.
Obviamente que não vou discutir aquilo que se pode ou não fazer com uma dada linguagem, até porque com assembly consegue-se fazer tudo, mas o que se estava a discutir era o que tenho andado a investir, ao que ele reduz a nada porque não vê nada para além do que já existe no mercado.
Mesmo que todo o meu investimento seja completamente inútil, é sempre prematuro dar uma opinião dessas sem ver mais detalhes.
Quando ele me perguntou pela DSL, ele já se tinha decidido, porque quando se redus todo um trabalho a uma DSL, muito já se perdeu. Porque em situações normais, estaria mais preocupado em perguntar-me por plataformas, linguagens, toolkits, etc.
É como reduzir um browser ao HTML.
Agora resta saber qual a intenção dele, se estaria a pensar em como re-implementar, se estaria meramente a reagir à portuguesa e a deitar abaixo, just because.
Uma coisa é certa, se uma pessoa tem interesse em ajudar, o seu interesse surge muito antes da DSL, quer saber outros pormenores, desde quando o HTML ou o XHTML são o mais importante num browser?, como tal não faz sentido prolongar a conversa just because.
Não vale a pena contar novamente a experiência da gaiola dos macacos e das bananas, mas parece-me que no caso dele, ele também já está a espancar.
Já não basta em Portugal a mentalidade ser muito contra quem se atreve a fazer alguma coisa, volta e meia uma pessoa leva com investidas que tentam de alguma forma desacreditar o trabalho de anos e se possível sacar alguma coisa para re-implementarem ou fazerem bonito numa entrevista de trabalho.
Por exemplo, já me pediram directamente para explicar como funcionava a minha framework de testes para que fizessem boa figura num emprego (do qual acabou por ser despedido pouco depois), e tive uma reacção muito negativa quando tentei explicar que a pessoa estava a querer que lhe desse meses de trabalho em troca de nada.
Há uns tempos tive uma longa discussão com um desses amigos que me confrontou com uma framework de MDA em questão, e até lhe fiz o favor de a analisar e de a comparar. De facto era uma framework bastante evoluída face à minha, no entanto algumas especificadades da minha fazem-me com que por agora continue com ela. O que não quer dizer que no futuro a minha decisão seja a mesma ou que se fosse começar agora teria começado a minha em vez de usar directamente essa.
À uns tempos, porém falei com uma pessoa que admirei ao longo do meu curso no IST, era um colega mais velho que sempre admirei pelos seus vastos conhecimentos e projectos em que se envolvia com resultados positivos.
Expliquei-lhe em linhas gerais a minha linha de trabalho, ele depois pediu-me que lhe explicasse e mostrasse um pouco da DSL principal que uso. Quando ele me perguntou que vantagens tinha em relação a um qualquer outro ambiente de desenvolvimento, fiquei um pouco estupefacto e respondi-lhe as vantagens genéricas destas abordagens como independência de plataforma ou separação de preocupações.
Mas se aquilo em que trabalho é completamente irrelevante em termos de produtividade, porque é que o Intentional Programming que é um projecto de investigação com mais de 20 anos ou se investe tanto em MDA? Porque é que a Microsoft vai lançar no próximo VS suporte a DSLs? Acho que nem merece resposta.
Obviamente que não vou discutir aquilo que se pode ou não fazer com uma dada linguagem, até porque com assembly consegue-se fazer tudo, mas o que se estava a discutir era o que tenho andado a investir, ao que ele reduz a nada porque não vê nada para além do que já existe no mercado.
Mesmo que todo o meu investimento seja completamente inútil, é sempre prematuro dar uma opinião dessas sem ver mais detalhes.
Quando ele me perguntou pela DSL, ele já se tinha decidido, porque quando se redus todo um trabalho a uma DSL, muito já se perdeu. Porque em situações normais, estaria mais preocupado em perguntar-me por plataformas, linguagens, toolkits, etc.
É como reduzir um browser ao HTML.
Agora resta saber qual a intenção dele, se estaria a pensar em como re-implementar, se estaria meramente a reagir à portuguesa e a deitar abaixo, just because.
Uma coisa é certa, se uma pessoa tem interesse em ajudar, o seu interesse surge muito antes da DSL, quer saber outros pormenores, desde quando o HTML ou o XHTML são o mais importante num browser?, como tal não faz sentido prolongar a conversa just because.
Não vale a pena contar novamente a experiência da gaiola dos macacos e das bananas, mas parece-me que no caso dele, ele também já está a espancar.
10 maio 2009
O Poder da Desinformação
Frequentemente vêm a público vários economistas alertar para a gravíssima situação do nosso país. Olham numa perspectiva de dívida pública, de endividamento, falam de atrasos estruturais, são muito genéricos, mas grosso modo quase todos evitam o verdadeiro problema.
O grande problema como aparentemente terá dito Che Guevara, é a falta de educação das pessoas, que por esse motivo são muito fáceis de enganar.
É certo que ele defendia o comunismo, e na verdade em termos de princípios o comunismo até tem tudo para ser uma coisa boa. O problema é que depois em todas as experiências práticas acabou por se revelar um fracasso levando a uma pobreza generalizada, a um modelo de trabalho semelhante à escravatura e ao completamente esmagamento das liberdades e gostos individuais.
Mas o comunismo continua a funcionar lindamente em termos de campanhas eleitorais. E a explicação é simples, uma pessoa que tenha 10 milhões de euros é riquíssima, para uma pessoa que ganha o ordenado mínimo. Como tal qualquer comunista facilmente convence as pessoas dessa injustiça, que o que tem devia ser distribuído pelos pobres.
Só que como qualquer pessoa sabe 10 milhões de euros, distribuídos por 10 milhões de pessoas, dá 1 euro para cada uma, ou seja, do ponto de vista prático não tem resultados significativos, ou seja, são modelos apenas pensados para explorar a falta de conhecimentos das pessoas.
Obviamente que aplicando a todos os ditos "ricos" e "poderosos" em Portugal, talvez desse mil euros a cada um, mesmo com mil euros a cada um, a melhoria na vida das pessoas seria assim tão significativa? Claro que não.
Como tal, todos estes partidos, quando se apanham no poder, começam automaticamente a tentar introduzir uma ditadura, porque a realidade o que eles prometeram não é matematicamente possível e nunca foi. Quem estiver atento às lides partidárias dos partidos comunistas em Portugal já deve ter reparado que qualquer membro do partido que discorde publicamente e frontamente do líder é automaticamente expulso ou no mínimo posto de parte.
Para além do mais estes partidos sabem que em países como Portugal, a riqueza nacional está a fugir do país, ou seja, quando menos riqueza há no país, menor é a riqueza total que em teoria se poderia distribuir por todos. É por isso que em muitos países comunistas existem fortes contenções em termos de importações e compras por atacado para conseguir melhores preços, em deterimento da variedade de produtos.
Mas estruturalmente não se têm feito nada em Portugal, porquê? Porque provavelmente o golpe de estado militar que tivemos em Portugal foi autorizado pelo próprio governo de então, para evitar uma revolução comunista. Porque, ora vejamos existia uma onda comunista a varrer o país, o país estava numa situação económica muito má, o que aumentava em muito a probabilidade de uma revolução.
A Igreja Católica ainda tentou travar a investida, assustando as pessoas com o monstro do comunismo, como por exemplo é possível ver nalguma associação feita em torno das aparições de Fátima.
Mas porque é que isto é relevante, porque em Portugal antes do 25 de Abril, as pessoas viviam numa grande pobreza, num modelo de autêntica escravatura, obviamente que existiam muitos abusos (ainda os existem) e foi neste contexto que o comunismo se espalhou como a solução para o problema, bastando para isso apreender os bens dos proprietários dos terrenos.
Com o 25 de Abril, os governos que se seguiram tentaram seguir as ideias do comunismo que era o que o povo queria, mas tentando evitá-lo, recorrendo um bocado à Igreja Católica que temia o Comunismo por este ser fortemente ateu. Alguns teóricos dizem que o socialismo português foi formado por comunistas que foram rejeitados pelo partido comunista e que apenas se diferenciaram para serem eleitos.
Não sei exactamente quando, nem a sua extensão, mas sei que após o 25 de Abril, realizaram muitas nacionalizações e começaram cada vez mais a introduzir direitos para os trabalhadores e a aumentar os seus ordenados. Obviamente que os partidos de esquerda continuaram a vender mais direitos e riqueza que nunca existiu.
Como essa riqueza não existe, e não é possível dar direitos a uma pessoa sem tirar direitos a outra, nunca foi possível a nenhum governo resolver o problema de vez. Ao invés disso, foram manipulando a realidade mas numa perspectiva eleitoral.
O truque na realidade é muito simples, a grande maioria dos portugueses (80% ou mais) trabalha em empresas com uma dimensão muito reduzida, onde graças à reduzia dimensão da empresa não existem estruturas que permitam lidar com os empregados de forma adequada.
Nem especialistas em recursos humanos, nem psicologos organizacionais, nem advogados especialistas em código do trabalho, nem testemunhas suficientes para fazer prova em tribunal, nem departamentos para enfiar indesejáveis, nem outros postos ou instalações para separar colegas em conflito, etc.
Ou seja basta muitas vezes um e só um trabalhador para levar uma empresa à falência.
Normalmente o que sucede é um regime de abusos por parte dos empregados, em que geralmente têm um ordenado completamente dissociado daquilo que produzem, sendo que ou são os colegas que pagam o seu ordenado do seu trabalho ou é o próprio patrão que trabalha para lhe pagar o ordenado.
O resultado disto é muito simples, estas empresas apresentam um indice de rentabilidade muito baixo comparativamente com as grandes empresas que têm todos esses mecanimos de protecção, mas só empregam 20% ou menos dos trabalhadores.
Este fenómeno está amplamento estudado, mas nada se faz porque 80% dos trabalhadores estão em empresas onde eles têm mais direitos que os ditos patrões, os casos em que ocorrem as injustiças representam uma fracção menor dos trabalhores. E nessas empresas não há nada a fazer, porque mesmo como está a situação actualmente muitas delas já evitam instalar-se em Portugal por causa disso e recorrem fortemente ao trabalho temporário.
Faz sentido grandes empresas tecnológicas instalarem-se em Portugal graças a subsídios terem a grande maioria dos seus Engs subcontratados através de empresas de trabalho temporário? Claro que não, mas se não for assim, elas não vêm.
O grande problema é que ao longo de 30 anos, a educação falhou, e após mais de 30 anos a prometer direitos que não são possíveis, as pessoas estão à beira da ruputura, embora alguns especialistas achem que as pessoas talvez aguentem mais umas dezenas de anos. Mas o mais preocupante é que o nosso país não suporta os direitos actuais, ou se aumenta a riqueza ou se diminuem os direitos e esse é o problema.
E porque é que é problema? É que para aumentar a riqueza é preciso dinamizar a economia, e o melhor sítio para o fazer é junto das PMEs e para isso é preciso mudar o código do trabalho radicalmente, para um modelo em que o estado é uma grande empresa de trabalho temporário.
Porque alguns direitos são legítimos, mas são legítimos numa perspectiva de país, mas não numa perspectiva de uma empresa, porque certos direitos numa grande não causam mossa, mas numa pequena causam falência.
Mas mesmo para as pessoas é pior, e até elas sabem, pois preferem trabalhar em grandes empresas apesar dos abusos que estas praticam. Porque como as pequenas são muito vulneráveis e basta um trabalhador, por muito bom que seja fazer pouco do patrão, o risco de desemprego ou de falência e não levar indeminização é algo sempre muito assustador.
Por isso não só a desinformação nos levou até uma situação económica lamentável, como a desinformação nos impede de enfrentar a realidade e tomar as decisões necessárias. Mas existem eleições em disputa e há que disputar os lugares do poleiro.
O grande problema como aparentemente terá dito Che Guevara, é a falta de educação das pessoas, que por esse motivo são muito fáceis de enganar.
É certo que ele defendia o comunismo, e na verdade em termos de princípios o comunismo até tem tudo para ser uma coisa boa. O problema é que depois em todas as experiências práticas acabou por se revelar um fracasso levando a uma pobreza generalizada, a um modelo de trabalho semelhante à escravatura e ao completamente esmagamento das liberdades e gostos individuais.
Mas o comunismo continua a funcionar lindamente em termos de campanhas eleitorais. E a explicação é simples, uma pessoa que tenha 10 milhões de euros é riquíssima, para uma pessoa que ganha o ordenado mínimo. Como tal qualquer comunista facilmente convence as pessoas dessa injustiça, que o que tem devia ser distribuído pelos pobres.
Só que como qualquer pessoa sabe 10 milhões de euros, distribuídos por 10 milhões de pessoas, dá 1 euro para cada uma, ou seja, do ponto de vista prático não tem resultados significativos, ou seja, são modelos apenas pensados para explorar a falta de conhecimentos das pessoas.
Obviamente que aplicando a todos os ditos "ricos" e "poderosos" em Portugal, talvez desse mil euros a cada um, mesmo com mil euros a cada um, a melhoria na vida das pessoas seria assim tão significativa? Claro que não.
Como tal, todos estes partidos, quando se apanham no poder, começam automaticamente a tentar introduzir uma ditadura, porque a realidade o que eles prometeram não é matematicamente possível e nunca foi. Quem estiver atento às lides partidárias dos partidos comunistas em Portugal já deve ter reparado que qualquer membro do partido que discorde publicamente e frontamente do líder é automaticamente expulso ou no mínimo posto de parte.
Para além do mais estes partidos sabem que em países como Portugal, a riqueza nacional está a fugir do país, ou seja, quando menos riqueza há no país, menor é a riqueza total que em teoria se poderia distribuir por todos. É por isso que em muitos países comunistas existem fortes contenções em termos de importações e compras por atacado para conseguir melhores preços, em deterimento da variedade de produtos.
Mas estruturalmente não se têm feito nada em Portugal, porquê? Porque provavelmente o golpe de estado militar que tivemos em Portugal foi autorizado pelo próprio governo de então, para evitar uma revolução comunista. Porque, ora vejamos existia uma onda comunista a varrer o país, o país estava numa situação económica muito má, o que aumentava em muito a probabilidade de uma revolução.
A Igreja Católica ainda tentou travar a investida, assustando as pessoas com o monstro do comunismo, como por exemplo é possível ver nalguma associação feita em torno das aparições de Fátima.
Mas porque é que isto é relevante, porque em Portugal antes do 25 de Abril, as pessoas viviam numa grande pobreza, num modelo de autêntica escravatura, obviamente que existiam muitos abusos (ainda os existem) e foi neste contexto que o comunismo se espalhou como a solução para o problema, bastando para isso apreender os bens dos proprietários dos terrenos.
Com o 25 de Abril, os governos que se seguiram tentaram seguir as ideias do comunismo que era o que o povo queria, mas tentando evitá-lo, recorrendo um bocado à Igreja Católica que temia o Comunismo por este ser fortemente ateu. Alguns teóricos dizem que o socialismo português foi formado por comunistas que foram rejeitados pelo partido comunista e que apenas se diferenciaram para serem eleitos.
Não sei exactamente quando, nem a sua extensão, mas sei que após o 25 de Abril, realizaram muitas nacionalizações e começaram cada vez mais a introduzir direitos para os trabalhadores e a aumentar os seus ordenados. Obviamente que os partidos de esquerda continuaram a vender mais direitos e riqueza que nunca existiu.
Como essa riqueza não existe, e não é possível dar direitos a uma pessoa sem tirar direitos a outra, nunca foi possível a nenhum governo resolver o problema de vez. Ao invés disso, foram manipulando a realidade mas numa perspectiva eleitoral.
O truque na realidade é muito simples, a grande maioria dos portugueses (80% ou mais) trabalha em empresas com uma dimensão muito reduzida, onde graças à reduzia dimensão da empresa não existem estruturas que permitam lidar com os empregados de forma adequada.
Nem especialistas em recursos humanos, nem psicologos organizacionais, nem advogados especialistas em código do trabalho, nem testemunhas suficientes para fazer prova em tribunal, nem departamentos para enfiar indesejáveis, nem outros postos ou instalações para separar colegas em conflito, etc.
Ou seja basta muitas vezes um e só um trabalhador para levar uma empresa à falência.
Normalmente o que sucede é um regime de abusos por parte dos empregados, em que geralmente têm um ordenado completamente dissociado daquilo que produzem, sendo que ou são os colegas que pagam o seu ordenado do seu trabalho ou é o próprio patrão que trabalha para lhe pagar o ordenado.
O resultado disto é muito simples, estas empresas apresentam um indice de rentabilidade muito baixo comparativamente com as grandes empresas que têm todos esses mecanimos de protecção, mas só empregam 20% ou menos dos trabalhadores.
Este fenómeno está amplamento estudado, mas nada se faz porque 80% dos trabalhadores estão em empresas onde eles têm mais direitos que os ditos patrões, os casos em que ocorrem as injustiças representam uma fracção menor dos trabalhores. E nessas empresas não há nada a fazer, porque mesmo como está a situação actualmente muitas delas já evitam instalar-se em Portugal por causa disso e recorrem fortemente ao trabalho temporário.
Faz sentido grandes empresas tecnológicas instalarem-se em Portugal graças a subsídios terem a grande maioria dos seus Engs subcontratados através de empresas de trabalho temporário? Claro que não, mas se não for assim, elas não vêm.
O grande problema é que ao longo de 30 anos, a educação falhou, e após mais de 30 anos a prometer direitos que não são possíveis, as pessoas estão à beira da ruputura, embora alguns especialistas achem que as pessoas talvez aguentem mais umas dezenas de anos. Mas o mais preocupante é que o nosso país não suporta os direitos actuais, ou se aumenta a riqueza ou se diminuem os direitos e esse é o problema.
E porque é que é problema? É que para aumentar a riqueza é preciso dinamizar a economia, e o melhor sítio para o fazer é junto das PMEs e para isso é preciso mudar o código do trabalho radicalmente, para um modelo em que o estado é uma grande empresa de trabalho temporário.
Porque alguns direitos são legítimos, mas são legítimos numa perspectiva de país, mas não numa perspectiva de uma empresa, porque certos direitos numa grande não causam mossa, mas numa pequena causam falência.
Mas mesmo para as pessoas é pior, e até elas sabem, pois preferem trabalhar em grandes empresas apesar dos abusos que estas praticam. Porque como as pequenas são muito vulneráveis e basta um trabalhador, por muito bom que seja fazer pouco do patrão, o risco de desemprego ou de falência e não levar indeminização é algo sempre muito assustador.
Por isso não só a desinformação nos levou até uma situação económica lamentável, como a desinformação nos impede de enfrentar a realidade e tomar as decisões necessárias. Mas existem eleições em disputa e há que disputar os lugares do poleiro.
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