Há um discurso que diz que determinados objectivos só se atingem quando os queremos tão fortemente como queremos respirar. Já um discurso famoso alerta para a mudança de perspectiva quando temos a noção que podemos morrer.
Estas semanas tenho sido brindado sistematicamente com ambos, uma reacção qualquer do organismo impede-me de respirar, a garganta bloqueia e o ar não passa.
Normalmente tenho um pré-aviso, nunca sei quanto tempo vai durar, o organismo entra sempre em pânico, em desespero e depois é preciso calma até a garganta desbloquear novamente.
Os de curta duração duram alguns segundos apenas, mas hoje às 5:00, acho que bati o record, foi mesmo muito tempo, 1 minuto, talvez 2, talvez 3, talvez mais.
O que me preocupa é que eu já estava a ver o caso tão mal parado que nem sequer estava a pensar racionalmente, nem me lembrei de experimentar o gelado.
Naqueles momentos não se pensa em mais nada, senão em respirar, nada mais importa, apenas respirar.
O desafio é controlar o organismo, que até ácido tenta ir buscar ao estômago para queimar o bloqueio...
Beber água, gelado (sim, ambos com o resultado expectável), suster a respiração, respirar apenas pelo nariz muito lentamente, tudo vale, a ver se passa.
Hoje ao 6º médico finalmente tive um diagnóstico que fazia sentido, a garganta inflamada, mas limpa, pulmões limpos, análises, rx, tudo ok, acho que isso nunca ajudou.
A médica dizia-me que sabia o que eu tinha, porque também tinha tido e o que sabia foi o que leu nessa altura quando teve.
Ela dizia-me que cada vez que lhe dava, pensava que ia morrer, que o consolo dela era saber que se desmaiasse, o corpo iria relaxar e ela iria voltar a respirar.
Mas acho que não vou experimentar a desmaiar, não vá a coisa correr mal...
Novamente a médica recomendou-me que pelo menos estes dias deixasse de dormir sozinho, que era melhor para controlar a ansiedade, para quê, para traumatizar alguém?
Até ela dizia que não havia nada a fazer.
De facto, é muito menos traumático passar por isso acompanhado, tive essa experiência num que me deu à tarde, mas para a pessoa que assistiu...
Já basta uma pessoa, cada vez que vai dormir, não saber o que a noite vai trazer...
Amanhã começo o medicamento que deverá resolver o problema, o desafio vai ser até lá!
Depois de mais de 10 crises, 4/5 das quais prolongadas, acho que ficou bem presente, o que é querer respirar, o que é bom para uma pessoa sentir o que quer mesmo, para reflectir sobre as suas prioridades, para não perder tempo com coisas secundárias.
Aquela sensação de que podia ter morrido ou de será que é esta noite que vou morrer, também nos faz pensar na nossa vida, nas pessoas que são importantes para nós, nas responsabilidades que temos, no que somos.
Isto porque só hoje, fiquei a saber que se desmaiar fico ok, ou pelo menos vamos lá acreditar que sim.
Sim, já devia estar a dormir há umas horas, as desculpas que eu arranjo...
04 outubro 2016
16 setembro 2016
Coincidências
Uma das pessoas que me preparou dizia que não haviam coincidências, que não acreditava em coincidências, que basicamente devemos sempre analisar tudo em pormenor, até ao ínfimo detalhe.
Mas eu não sei explicar isto, porque se tivesse feito de propósito não tinha conseguido.
Como é que eu me consigo cruzar com uma pessoa ao pé da minha casa, a uma hora próxima da hora a que ela saiu da minha casa há exactamente 2 anos, no dia em que no fundo a nossa amizade colapsou.
Lembro-me perfeitamente desse dia, era o segundo dia dela na empresa para onde tinha ido trabalhar, estava muito cansada, mas muito feliz, tinha saído mais cedo e aproveitou para trabalhar na tese, eu apertava com ela, revia...
Ela terminou, segundo me disse, ia a casa de uma colega e depois para casa, mais tarde quando falámos, a amizade que outrora nos ligava tinha desaparecido.
Só nos vimos mais uma vez e apesar de meses a morar ao pé dela, nunca mais a tinha visto, nem tido quaisquer notícias dela, só há talvez 2 semanas soube a nota que ela teve na tese, fiquei tão orgulhoso dela.
Hoje quando a vi, para ser sincero não a reconheci, ela está muito diferente, ela já não é a mesma pessoa, mas infelizmente isso é normal, passaram-se dois anos, ela era uma pessoa muito especial e a nossa sociedade não perdoa.
Também eu já não sou a mesma pessoa, já resta muito pouco em mim da pessoa que ela conheceu, aquilo que outrora era o que mais valorizava em mim, agora é apenas um ponto fraco que tem de ser suprimido.
Adaptando de Jack Welch, devemos suprimir os nossos pontos fracos para que não os usem contra nós.
Não sei se algum dia vou recuperar a amizade dela, nunca tive uma amiga tão querida e tão especial, a nossa amizade era mesmo real, como todas são supostas ser.
Foi ela que me mostrou uma espiral ascendente, o que era o amor, embora nunca tenhamos sido mais que amigos.
Sim, a amizade é suposta ser uma ligação de amor entre as pessoas, tal como é suposto haver entre pais e filhos, irmão e irmãs, etc, etc.
Actualização: No dia seguinte, estou com um bocado dor de cabeça de tanto tossir, saio de casa para apanhar um pouco de ar fresco e vejo-a novamente.
Mas eu não sei explicar isto, porque se tivesse feito de propósito não tinha conseguido.
Como é que eu me consigo cruzar com uma pessoa ao pé da minha casa, a uma hora próxima da hora a que ela saiu da minha casa há exactamente 2 anos, no dia em que no fundo a nossa amizade colapsou.
Lembro-me perfeitamente desse dia, era o segundo dia dela na empresa para onde tinha ido trabalhar, estava muito cansada, mas muito feliz, tinha saído mais cedo e aproveitou para trabalhar na tese, eu apertava com ela, revia...
Ela terminou, segundo me disse, ia a casa de uma colega e depois para casa, mais tarde quando falámos, a amizade que outrora nos ligava tinha desaparecido.
Só nos vimos mais uma vez e apesar de meses a morar ao pé dela, nunca mais a tinha visto, nem tido quaisquer notícias dela, só há talvez 2 semanas soube a nota que ela teve na tese, fiquei tão orgulhoso dela.
Hoje quando a vi, para ser sincero não a reconheci, ela está muito diferente, ela já não é a mesma pessoa, mas infelizmente isso é normal, passaram-se dois anos, ela era uma pessoa muito especial e a nossa sociedade não perdoa.
Também eu já não sou a mesma pessoa, já resta muito pouco em mim da pessoa que ela conheceu, aquilo que outrora era o que mais valorizava em mim, agora é apenas um ponto fraco que tem de ser suprimido.
Adaptando de Jack Welch, devemos suprimir os nossos pontos fracos para que não os usem contra nós.
Não sei se algum dia vou recuperar a amizade dela, nunca tive uma amiga tão querida e tão especial, a nossa amizade era mesmo real, como todas são supostas ser.
Foi ela que me mostrou uma espiral ascendente, o que era o amor, embora nunca tenhamos sido mais que amigos.
Sim, a amizade é suposta ser uma ligação de amor entre as pessoas, tal como é suposto haver entre pais e filhos, irmão e irmãs, etc, etc.
Actualização: No dia seguinte, estou com um bocado dor de cabeça de tanto tossir, saio de casa para apanhar um pouco de ar fresco e vejo-a novamente.
02 setembro 2016
Ostracização
Quando um grupo obriga um amigo teu a desconvidar-te para um almoço que está a organizar, está tudo dito. A mensagem que querem que te vás embora, é clara.
A primeira coisa que lamentei foi a forma como ele perdeu a cara comigo, ele sabia o que estava a fazer, como nos dávamos bem e que não tinha escolha. Eu vi como ele se estava a sentir, a sofrer com a situação.
Ninguém quer ser amigo de quem é ostracizado, posto de parte, gozado, na realidade ninguém se pode dar a esse luxo, porque é preciso ter muita força para aguentar uma situação dessas.
Mas obviamente que a ele seguiram-se outros, assumindo que para uma mulher pedir isso, supostamente em nome das outras, era porque eu teria feito algo muito grave. Só que não.
A chamada difamação implícita, que leva as pessoas a pensarem tudo e mais alguma coisa, mas na realidade ninguém disse nada, um truque porreiro não é? :)
“Perdoa-lhes pai porque não sabem o que fazem?”
A primeira coisa que lamentei foi a forma como ele perdeu a cara comigo, ele sabia o que estava a fazer, como nos dávamos bem e que não tinha escolha. Eu vi como ele se estava a sentir, a sofrer com a situação.
Ninguém quer ser amigo de quem é ostracizado, posto de parte, gozado, na realidade ninguém se pode dar a esse luxo, porque é preciso ter muita força para aguentar uma situação dessas.
Mas obviamente que a ele seguiram-se outros, assumindo que para uma mulher pedir isso, supostamente em nome das outras, era porque eu teria feito algo muito grave. Só que não.
A chamada difamação implícita, que leva as pessoas a pensarem tudo e mais alguma coisa, mas na realidade ninguém disse nada, um truque porreiro não é? :)
“Perdoa-lhes pai porque não sabem o que fazem?”
“Onde houver ofensa, que eu leve o perdão”?
Claro que não, porque todos eles quando confrontados com a realidade da atitude deles, não vão querer admitir que erraram, que foram fracos, mesmo que fosse verdade, porque mesmo que fosse verdade, a atitude correcta não é essa.
Condenar uma pessoa, ostracizando-a, sem sequer a ouvir, nem lhe dar possibilidade de defesa?
Como tal, até a eles próprios se vão querer convencer de coisas que sabem que não são verdade, por isso é que isto é tão eficaz.
Mesmo que exista um erro da minha parte ou um mal entendido por trás, claro que a dimensão é ampliada e as certezas amplificadas.
A coisa mais ausente da nossa sociedade é precisamente isso, as pessoas são incapazes de admitir os seus erros e pedir desculpa e depois as situações vão escalando.
Eu quando erro, tento pedir desculpa, mas raramente as pessoas sequer querem, parece que ficam satisfeitas por terem algo contra mim, como se tivessem carta branca para fazerem tudo o que lhes apetecer.
Por isso, eu relevar, esquecer, perdoar, etc, mesmo que o faça, é estar a credibilizar uma situação que me difama, ou seja, é uma auto-difamação.
“Onde houver discórida, que eu leve a união”
Atitudes destas foi uma constante em toda a minha vida, até quando tive cancro.
Claro que não, porque todos eles quando confrontados com a realidade da atitude deles, não vão querer admitir que erraram, que foram fracos, mesmo que fosse verdade, porque mesmo que fosse verdade, a atitude correcta não é essa.
Condenar uma pessoa, ostracizando-a, sem sequer a ouvir, nem lhe dar possibilidade de defesa?
Como tal, até a eles próprios se vão querer convencer de coisas que sabem que não são verdade, por isso é que isto é tão eficaz.
Mesmo que exista um erro da minha parte ou um mal entendido por trás, claro que a dimensão é ampliada e as certezas amplificadas.
A coisa mais ausente da nossa sociedade é precisamente isso, as pessoas são incapazes de admitir os seus erros e pedir desculpa e depois as situações vão escalando.
Eu quando erro, tento pedir desculpa, mas raramente as pessoas sequer querem, parece que ficam satisfeitas por terem algo contra mim, como se tivessem carta branca para fazerem tudo o que lhes apetecer.
Por isso, eu relevar, esquecer, perdoar, etc, mesmo que o faça, é estar a credibilizar uma situação que me difama, ou seja, é uma auto-difamação.
“Onde houver discórida, que eu leve a união”
Atitudes destas foi uma constante em toda a minha vida, até quando tive cancro.
E claro, se as pessoas são obrigadas a fazer-te isto quando tens cancro, ah menino, elas vão fundo, ah se vão, porque é daqueles momentos em que a sociedade diz que se deve ter sempre misericódia.
Como é que se vão olhar no espelho?
Mesmo que seja fácil comprovar a tua inocência, nem sequer te perguntam nada, nem sequer querem saber o que estás a passar, ou como é duro estar nessa situação, é mais fácil assim, porque no fundo as pessoas sabem a verdade, escolhem é o mais fácil para elas.
Os melhores conselhos que recebo são sempre “vai-te embora”, e sim, tenho feito isso a vida toda, mas a natureza humana é a mesma, em qualquer lado onde se vá, é sempre a mesma coisa.
“As pessoas fazem sempre a coisa estúpida e egoísta, 10 vezes em cada 10.”
E mesmo assim tentei sempre ser o melhor amigo possível, o melhor filho possível, o melhor marido possível, o melhor colega possível, o melhor escuteiro possível, o melhor aluno possível, etc, mas quando chega a hora de escolher, as pessoas escolhem sempre o lado que temem, porque esperam que da minha parte haverá sempre compreensão.
Quando as pessoas percebem que mesmo assim, não quebro, nem dobro, mesmo estando sozinho, mesmo passando o Natal sozinho, vêm isso como uma vitória, um fundamento contra mim, mas a verdade é que é uma força de carácter que muitas poucas pessoas têm.
“Onde houver erros, que eu leve a verdade”
Eu sei que não me devo preocupar com a difamação que me fazem, que basta apenas a linearidade do meu perfil, mas as pessoas não querem a verdade.
A umas, isso deixa-as desconfortáveis, já a outras, isso não dá prazer, o que dá prazer é mesmo causar sofrimento ao outro, só porque é diferente, só porque desde pequenino foi educado para não ter quereres, para ter apenas responsabilidades, deveres e obrigações, para fazer a coisa certa, para ser capaz de sacrificar tudo.
Neste caso, a festa começou quando ainda estava seriamente debilitado do cancro, foi em grande, à confiança, as pessoas achavam que podiam tudo, só que não, o meu cérebro voltou, voltei a poder dar a cara para o meu mundo e ele aguarda-me de braços abertos.
Mesmo que seja fácil comprovar a tua inocência, nem sequer te perguntam nada, nem sequer querem saber o que estás a passar, ou como é duro estar nessa situação, é mais fácil assim, porque no fundo as pessoas sabem a verdade, escolhem é o mais fácil para elas.
Os melhores conselhos que recebo são sempre “vai-te embora”, e sim, tenho feito isso a vida toda, mas a natureza humana é a mesma, em qualquer lado onde se vá, é sempre a mesma coisa.
“As pessoas fazem sempre a coisa estúpida e egoísta, 10 vezes em cada 10.”
E mesmo assim tentei sempre ser o melhor amigo possível, o melhor filho possível, o melhor marido possível, o melhor colega possível, o melhor escuteiro possível, o melhor aluno possível, etc, mas quando chega a hora de escolher, as pessoas escolhem sempre o lado que temem, porque esperam que da minha parte haverá sempre compreensão.
Quando as pessoas percebem que mesmo assim, não quebro, nem dobro, mesmo estando sozinho, mesmo passando o Natal sozinho, vêm isso como uma vitória, um fundamento contra mim, mas a verdade é que é uma força de carácter que muitas poucas pessoas têm.
“Onde houver erros, que eu leve a verdade”
Eu sei que não me devo preocupar com a difamação que me fazem, que basta apenas a linearidade do meu perfil, mas as pessoas não querem a verdade.
A umas, isso deixa-as desconfortáveis, já a outras, isso não dá prazer, o que dá prazer é mesmo causar sofrimento ao outro, só porque é diferente, só porque desde pequenino foi educado para não ter quereres, para ter apenas responsabilidades, deveres e obrigações, para fazer a coisa certa, para ser capaz de sacrificar tudo.
Neste caso, a festa começou quando ainda estava seriamente debilitado do cancro, foi em grande, à confiança, as pessoas achavam que podiam tudo, só que não, o meu cérebro voltou, voltei a poder dar a cara para o meu mundo e ele aguarda-me de braços abertos.
Na verdade ansiosamente e com o prazo a apertar! :D
“Compreender, que ser compreendido;
“Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado;
Pois é dando que se recebe;
É perdoando, que se é perdoado”
Essa é a receita para se ficar sozinho, só se impondo consequências às pessoas é que elas aprendem e dão valor, ser superior ou dar-lhes outra oportunidade, é dar-lhes espaço para fazerem ainda pior.
Felizmente ao longo dos anos fui conhecendo muitas boas pessoas, mas sem a minha capacidade de aguentar, para lhes evitar problemas vi-me obrigado a afastar-me. Felizmente essa necessidade está prestes a acabar, basta que eu abrace o meu mundo, mas vai ser um abraço muito triste, pelo menos para mim.
Essa é a receita para se ficar sozinho, só se impondo consequências às pessoas é que elas aprendem e dão valor, ser superior ou dar-lhes outra oportunidade, é dar-lhes espaço para fazerem ainda pior.
Felizmente ao longo dos anos fui conhecendo muitas boas pessoas, mas sem a minha capacidade de aguentar, para lhes evitar problemas vi-me obrigado a afastar-me. Felizmente essa necessidade está prestes a acabar, basta que eu abrace o meu mundo, mas vai ser um abraço muito triste, pelo menos para mim.
15 agosto 2016
Uma visão pragmática do amor
O que é o amor?
Após inúmeras conversas, até com colegas de ginásio, contra a visão de amor como complemento, em que o outro serve apenas para complementar e não completar, em que primeiro está o eu e depois o outro…
Resolvi então tentar resumir os pontos principais, embora seja de saúdar como tantas pessoas diferentes, consideram importante debater o tema, numa sociedade em que é cada vez mais relegado para segundo plano.
O problema começa com a utilização indiscriminada de amor, usa-se amor para tudo e mais alguma coisa, a utilização mais preocupante é utilizar amor quando na realidade estamos a falar de posse.
Depois agrava-se com a defesa que em primeiro lugar deve estar o próprio e só depois o objecto amado, que deve ser apenas um complemento e nada mais.
Mas afinal o que é o amor?
No entanto ainda existe um consenso escondido sobre o que é o amor, que é o que supostamente deve ligar os pais aos filhos.
Se pais se colocam em primeiro lugar face aos seus filhos, se os sacrificariam, se não se sacrificariam por eles, ou sacrificariam um pelo outro, a sociedade até vai mais longe argumentando que nem devem ser chamados de pais, quanto mais dizer que amam os seus filhos.
Por isso por enquanto, a sociedade ainda sabe uma coisa simples acerca do amor, o amor não é acerca do próprio, mas acerca do objecto amado, ou seja, quando se ama, não é a própria pessoa que importa, mas sim o objecto desse amor.
E esse amor pode ser dirigido a outras pessoas, a objectos, à sociedade, ao próximo, a Deus, aquilo que a pessoa escolher amar.
Por isso, se não é altruísta, se se espera algo em troca, não é amor, é negócio.
Se o objecto desse amor, é digno ou merecedor desse amor, é um assunto à parte.
O amor não é só o amor romântico
O amor supostamente deve ser a coisa que deve ligar as pessoas umas às outras, seja família, sejam até mesmo amigos, etc. Quando entre amigos não existe amor, não existe amizade e é fácil de perceber.
A definição de amizade que eu considero válida é uma que diz que somos amigos de alguém quando aquilo que lhe acontece, sentimos como se fosse connosco.
Por negação é fácil de ver, ora se sacrificarmos os nossos amigos, e não nos sacrificarmos por eles, que raio de amigos somos? ;)
Na verdade, com os nossos amigos, não sentimos como se fosse connosco, connosco nós sabemos o que se passa, o que sentimos, mas com os nossos amigos temos sempre de assumir o pior, pois são nesses casos quando mais precisam de nós.
Por isso sim, a amizade implica a presença de amor, nós é que temos muitos conhecidos, colegas, usamos a palavra amigos para tudo e mais alguma coisa, mas amigos temos todos muito poucos.
O amor é uma coisa boa?
Sim, na verdade não só é uma coisa maravilhosa, como até é uma coisa extremamente poderosa, porque de um modo geral, uma pessoa em prol do que ama está disposta a ir muito mais longe do que está disposta a ir em prol de si própria.
Esta é uma verdade simples, reconhecida há milhares de anos, e amplamente utilizada quer para fins militares, quer policiais.
Pode surpreender de início, mas se começarmos a pensar na formação militar, no amor à pátria, à família, aos camaradas, na forma como são tratados pelos instrutores para se unirem, etc, a expressão de irmãos de armas não é fruto do acaso, mas sim de uma estratégia militar simples que utiliza o amor como uma forma de tornar os seus soldados mais eficazes.
Mas a ideia não é simplesmente levar o soldado a ir muito mais longe do que iria por si próprio, é também desviar o foco dele próprio, do seu medo de morrer, de falhar, para a protecção dos camaradas, para a missão que têm a executar.
Assim, quando vão para o terreno confiam que os seus camaradas os vão proteger e o seu foco é protegê-los e fazem-no instintivamente, atirando-se para cima de granadas, se a situação o exigir.
Em Esparta por exemplo, uma das maiores desonras era perder o escudo, porque o escudo era utilizado para proteger o colega do lado, já o elmo era apenas para protecção pessoal e não tinha essa relevância.
É por isso que até nas forças policiais há um esforço de estabilidade em termos de parceiros e treino nesse sentido, para que se protejam uns aos outros.
Quando um militar ou um polícia não respeita isto, ninguém quer ir para o terreno com eles.
Claro que estamos a falar de um amor fruto de um condicionamento psicológico e não algo propriamente voluntário e espontâneo, mas estão lá as componentes práticas nos comportamentos adquiridos.
No dia a dia, o amor só é uma coisa boa quando a pessoa que se ama é digna e merecedora desse amor, mas poderá ser muito doloroso de suportar se não for correspondido.
Nota: estou a falar de amor genericamente, não de amor romântico.
Por exemplo, duas pessoas dignas e merecedoras, mas a amizade é apenas num sentido, ou seja no outro sentido, existe uma interpretação subjacente dessa pessoa que leva a que não seja considerada amiga, a qual depois também promove a que todos os seus comportamentos sejam mal interpretados e como é óbvio isto magoa, não porque esperasse algo em troca.
A espiral ascendente
Vejamos então, o topo, o maravilhoso, o mais poderoso, o amor correspondido, a famosa espiral ascendente. :)
Nota: novamente isto aplica-se ao amor genericamente, entre pais e filhos, amigos, etc.
A espiral ascendente é quando duas ou mais pessoas têm uma interacção positiva, em que se puxam umas às outras para cima, no sentido de atingirem os seus objectivos, ascendendo em conjunto.
Pega na ideia base, uma pessoa que ama, coloca a outra em primeiro lugar, preocupa-se mais e está disposta a fazer mais por ela, do que ela própria, assim, vai levar mais a sério a vida da outra pessoa que ela própria levaria.
Ora quando isto é cruzado, a outra pessoa depois retribui fazendo o mesmo, puxando também pela outra pessoa, mais do que ela própria estaria disposta a fazer.
Assim, uma faz a outra ascender, a outra retribui fazendo a ascender e o ciclo vai-se repetindo.
Nota: Preocupar-se com o outro, não é dominar a vida do outro, isto novamente não é amor, mas posse.
Por mais estranho que possa parecer, isto é visto como normal na forma como os pais encaram os filhos, no entanto é assustador para filhos que tiveram pais um pouco mais possessivos ou excessivamente protectores, mas o que temem não é amor, mas posse.
No amor, não há condicionamento, não há ordens, não há imposições, não há controlo, mas sim inter-ajuda, mão no ombro, apoio, compreensão, valorização, etc.
Sim, basicamente a estratégia militar.
Obviamente que o amor romântico é algo que só pode crescer em cima disto, se isto não existe, não existe amor, quanto mais romântico.
O amor é uma coisa perigosa?
Sim, começando no exemplo militar, quando um soldado protege o colega, mas o colega não o protege a ele, está exposto e obviamente em risco.
Na realidade do dia a dia a situação é muito semelhante, pode é ser mais fácil de passar despercebida, mas no fundo, quando quando uma pessoa ama, mas não é amada de volta, basicamente deixa de existir.
Ou seja, uma pessoa no fundo só existe se for amada, ou se quisermos, são as pessoas que nos amam que nos dão existência, é engraçado dizer isto.
Mas são inúmeras as frases célebres que o dizem, nomeadamente “Nenhum homem é uma ilha” de John Donne.
A explicação é simples, ao amar, a pessoa coloca a outra em primeiro lugar, a outra não amando, aproveita-se disso e como não a ama, está-se a borrifar, pelo que há a tendência até de promover que a outra se esqueça cada vez mais de si própria.
O machismo é um excelente exemplo disso, tal como pais que tratam os filhos como criados, entre muitos outros...
Por isso, eu compreendo completamente quando os psicólogos criticam abertamente o amor, é tão raro que seja correspondido, que coloca um risco tão grande, que é preferível convencer as pessoas a não amar.
A primeira vez que uma psicóloga me disse que era uma ilusão que os relacionamentos tivessem alguma coisa a ver com o amor, confesso que foi um choque, contra tudo o que acreditava.
Mas comecei a prestar atenção e percebi que era essa a realidade, pior ainda, a maior parte dos casais que conhecia nem sequer eram felizes ou um era às custas de um deles que se sacrificando, não existia.
E nem sequer escondiam, percebia-se em muitos a sinceridade, quando admitiam abertamente quando diziam que os filhos eram a melhor coisa que lhes tinha acontecido, que viviam apenas para os filhos e mais nada
Em que ficamos deve-se amar ou não?
Os militares diriam que é assim que se ganham as batalhas.
E eu responderia “um soldado tem a vantagem de conseguir olhar o seu inimigo nos olhos”, no dia a dia as coisas são, digamos, mais flexíveis.
Quando se forma uma espiral ascendente, eu diria que sim, já vi coisas maravilhosas, pessoas tornarem-se coisas que nunca pensaram que poderiam ser, e era apenas amizade.
Penso que todos conhecemos casos.
Grosso modo, a maior parte dos casos que conheço são espirais descendentes, em que pelo menos uma dela deixa de existir.
Depois é muito fácil separar pessoas que se amam, basta um pequeno grão de areia que leve a uma ruptura, nem precisa de ser verdade, o sofrimento é tal que ambos ficam incapazes de lidar com o assunto. Um magoado pela mentira, o outro por não ser acreditado.
Na posse, a vontade do outro, o sofrimento do outro não importam, como tal a pessoa vai insistir até o outro ceder, mentir, fazer de conta que é outra pessoa etc.
No amor, a pessoa apresenta-se tal como é, a sua maior preocupação é não magoar o outro, respeitar a sua vontade, pelo que vai sofrer em silêncio.
Por isso é que nas histórias de amor, tal como na realidade, salvo excepções, se não existir algo ou alguém que as junte uma vez separadas, é improvável que fiquem juntas e mesmo assim...
Então quando ainda mal se conhecem ou apenas começaram a ter a percepção um do outro, é das coisas mais fáceis, porque a insegurança de ambos está ao rubro e depois encarrega-se de pegar nesse grão de areia e construir uma barreira.
Porquê tanta confusão sobre o que é o amor?
Na verdade, a maior parte das pessoas não quer amar, mas quer ser amada, e é fácil de perceber porquê.
Em primeiro lugar, amar dá trabalho, preocupações, dá poder à pessoa que amamos para nos magoar, é um ponto fraco, trás preocupações adicionais, implica disponível para o outro, etc, etc.
Pelo que é muito fácil perceber a visão amor como complemento, simplesmente não se está para isso, para dar, mas está para se receber. Ou seja, se o outro interessar excelente, se der trabalho azar. Se esta visão pega, vamos ter muitos pais a dar os filhos para a adopção.
O problema da confusão com a posse
Quando a pessoa não ama, o sentimento que gera por quem a ama é posse.
Frases como por exemplo, “luta por ela” são posse, não se conquista o amor, não se impõe ao outro, não se cansa o outro até conseguir o seu amor, o amor ou surge espontâneamente ou não é amor.
Abundam centenas de frases feitas, armadas em indicadores da presença de amor, que na realidade são indicadores de posse, normalmente começam com “se te ama então”, o triste é que na esmagadora maioria dos casos, se amar mesmo vai fazer exatamente o oposto ou pelo menos o que a frase diz, não de certeza. Salvo excepções, se ama, vai fazer o que pedes.
Existe então uma frase que têm circulado muito, com muitas variações, mas que a base é esta “as pessoas que gostam de nós, arranjam sempre maneira de ficar nas nossas vidas”, só que não é verdade.
Qualquer pessoa que goste de nós, se a fizermos sentir que a queremos fora das nossas vidas, ela vai embora.
Ela só vai ficar se por qualquer motivo não poder ir, mas se ela nos amar mesmo, ela vai-se arranjar maneira e assim que puder vai, por mais que lhe doa, ela vai.
Isto é particularmente importante porque é assim que nós expulsamos das nossas vidas as pessoas que devíamos manter...
Conclusão
O amor é uma coisa muito poderosa, mas não é para todos, para alguns terá de bastar encontrarem alguém digno e merecedor, outros nunca saberão o que é amar.
E ser amado? No amor o que importa é quem se ama.
Então e a espiral ascendente? A única coisa que podemos fazer é amar alguém digno e merecedor, corresponder é algo que pertence ao outro, temos de respeitar a sua vontade e o espaço que nos dá na sua vida.
O exemplo dos pais e dos filhos, ajuda a compreender, porque felizmente, tem sido poupado a esta desinformação de uma sociedade que apela ao narcisismo, a que se use o outro.
Simples e escondido à frente dos olhos. :)
#Love :D
Após inúmeras conversas, até com colegas de ginásio, contra a visão de amor como complemento, em que o outro serve apenas para complementar e não completar, em que primeiro está o eu e depois o outro…
Resolvi então tentar resumir os pontos principais, embora seja de saúdar como tantas pessoas diferentes, consideram importante debater o tema, numa sociedade em que é cada vez mais relegado para segundo plano.
O problema começa com a utilização indiscriminada de amor, usa-se amor para tudo e mais alguma coisa, a utilização mais preocupante é utilizar amor quando na realidade estamos a falar de posse.
Depois agrava-se com a defesa que em primeiro lugar deve estar o próprio e só depois o objecto amado, que deve ser apenas um complemento e nada mais.
Mas afinal o que é o amor?
No entanto ainda existe um consenso escondido sobre o que é o amor, que é o que supostamente deve ligar os pais aos filhos.
Se pais se colocam em primeiro lugar face aos seus filhos, se os sacrificariam, se não se sacrificariam por eles, ou sacrificariam um pelo outro, a sociedade até vai mais longe argumentando que nem devem ser chamados de pais, quanto mais dizer que amam os seus filhos.
Por isso por enquanto, a sociedade ainda sabe uma coisa simples acerca do amor, o amor não é acerca do próprio, mas acerca do objecto amado, ou seja, quando se ama, não é a própria pessoa que importa, mas sim o objecto desse amor.
E esse amor pode ser dirigido a outras pessoas, a objectos, à sociedade, ao próximo, a Deus, aquilo que a pessoa escolher amar.
Por isso, se não é altruísta, se se espera algo em troca, não é amor, é negócio.
Se o objecto desse amor, é digno ou merecedor desse amor, é um assunto à parte.
O amor não é só o amor romântico
O amor supostamente deve ser a coisa que deve ligar as pessoas umas às outras, seja família, sejam até mesmo amigos, etc. Quando entre amigos não existe amor, não existe amizade e é fácil de perceber.
A definição de amizade que eu considero válida é uma que diz que somos amigos de alguém quando aquilo que lhe acontece, sentimos como se fosse connosco.
Por negação é fácil de ver, ora se sacrificarmos os nossos amigos, e não nos sacrificarmos por eles, que raio de amigos somos? ;)
Na verdade, com os nossos amigos, não sentimos como se fosse connosco, connosco nós sabemos o que se passa, o que sentimos, mas com os nossos amigos temos sempre de assumir o pior, pois são nesses casos quando mais precisam de nós.
Por isso sim, a amizade implica a presença de amor, nós é que temos muitos conhecidos, colegas, usamos a palavra amigos para tudo e mais alguma coisa, mas amigos temos todos muito poucos.
O amor é uma coisa boa?
Sim, na verdade não só é uma coisa maravilhosa, como até é uma coisa extremamente poderosa, porque de um modo geral, uma pessoa em prol do que ama está disposta a ir muito mais longe do que está disposta a ir em prol de si própria.
Esta é uma verdade simples, reconhecida há milhares de anos, e amplamente utilizada quer para fins militares, quer policiais.
Pode surpreender de início, mas se começarmos a pensar na formação militar, no amor à pátria, à família, aos camaradas, na forma como são tratados pelos instrutores para se unirem, etc, a expressão de irmãos de armas não é fruto do acaso, mas sim de uma estratégia militar simples que utiliza o amor como uma forma de tornar os seus soldados mais eficazes.
Mas a ideia não é simplesmente levar o soldado a ir muito mais longe do que iria por si próprio, é também desviar o foco dele próprio, do seu medo de morrer, de falhar, para a protecção dos camaradas, para a missão que têm a executar.
Assim, quando vão para o terreno confiam que os seus camaradas os vão proteger e o seu foco é protegê-los e fazem-no instintivamente, atirando-se para cima de granadas, se a situação o exigir.
Em Esparta por exemplo, uma das maiores desonras era perder o escudo, porque o escudo era utilizado para proteger o colega do lado, já o elmo era apenas para protecção pessoal e não tinha essa relevância.
É por isso que até nas forças policiais há um esforço de estabilidade em termos de parceiros e treino nesse sentido, para que se protejam uns aos outros.
Quando um militar ou um polícia não respeita isto, ninguém quer ir para o terreno com eles.
Claro que estamos a falar de um amor fruto de um condicionamento psicológico e não algo propriamente voluntário e espontâneo, mas estão lá as componentes práticas nos comportamentos adquiridos.
No dia a dia, o amor só é uma coisa boa quando a pessoa que se ama é digna e merecedora desse amor, mas poderá ser muito doloroso de suportar se não for correspondido.
Nota: estou a falar de amor genericamente, não de amor romântico.
Por exemplo, duas pessoas dignas e merecedoras, mas a amizade é apenas num sentido, ou seja no outro sentido, existe uma interpretação subjacente dessa pessoa que leva a que não seja considerada amiga, a qual depois também promove a que todos os seus comportamentos sejam mal interpretados e como é óbvio isto magoa, não porque esperasse algo em troca.
A espiral ascendente
Vejamos então, o topo, o maravilhoso, o mais poderoso, o amor correspondido, a famosa espiral ascendente. :)
Nota: novamente isto aplica-se ao amor genericamente, entre pais e filhos, amigos, etc.
A espiral ascendente é quando duas ou mais pessoas têm uma interacção positiva, em que se puxam umas às outras para cima, no sentido de atingirem os seus objectivos, ascendendo em conjunto.
Pega na ideia base, uma pessoa que ama, coloca a outra em primeiro lugar, preocupa-se mais e está disposta a fazer mais por ela, do que ela própria, assim, vai levar mais a sério a vida da outra pessoa que ela própria levaria.
Ora quando isto é cruzado, a outra pessoa depois retribui fazendo o mesmo, puxando também pela outra pessoa, mais do que ela própria estaria disposta a fazer.
Assim, uma faz a outra ascender, a outra retribui fazendo a ascender e o ciclo vai-se repetindo.
Nota: Preocupar-se com o outro, não é dominar a vida do outro, isto novamente não é amor, mas posse.
Por mais estranho que possa parecer, isto é visto como normal na forma como os pais encaram os filhos, no entanto é assustador para filhos que tiveram pais um pouco mais possessivos ou excessivamente protectores, mas o que temem não é amor, mas posse.
No amor, não há condicionamento, não há ordens, não há imposições, não há controlo, mas sim inter-ajuda, mão no ombro, apoio, compreensão, valorização, etc.
Sim, basicamente a estratégia militar.
Obviamente que o amor romântico é algo que só pode crescer em cima disto, se isto não existe, não existe amor, quanto mais romântico.
O amor é uma coisa perigosa?
Sim, começando no exemplo militar, quando um soldado protege o colega, mas o colega não o protege a ele, está exposto e obviamente em risco.
Na realidade do dia a dia a situação é muito semelhante, pode é ser mais fácil de passar despercebida, mas no fundo, quando quando uma pessoa ama, mas não é amada de volta, basicamente deixa de existir.
Ou seja, uma pessoa no fundo só existe se for amada, ou se quisermos, são as pessoas que nos amam que nos dão existência, é engraçado dizer isto.
Mas são inúmeras as frases célebres que o dizem, nomeadamente “Nenhum homem é uma ilha” de John Donne.
A explicação é simples, ao amar, a pessoa coloca a outra em primeiro lugar, a outra não amando, aproveita-se disso e como não a ama, está-se a borrifar, pelo que há a tendência até de promover que a outra se esqueça cada vez mais de si própria.
O machismo é um excelente exemplo disso, tal como pais que tratam os filhos como criados, entre muitos outros...
Por isso, eu compreendo completamente quando os psicólogos criticam abertamente o amor, é tão raro que seja correspondido, que coloca um risco tão grande, que é preferível convencer as pessoas a não amar.
A primeira vez que uma psicóloga me disse que era uma ilusão que os relacionamentos tivessem alguma coisa a ver com o amor, confesso que foi um choque, contra tudo o que acreditava.
Mas comecei a prestar atenção e percebi que era essa a realidade, pior ainda, a maior parte dos casais que conhecia nem sequer eram felizes ou um era às custas de um deles que se sacrificando, não existia.
E nem sequer escondiam, percebia-se em muitos a sinceridade, quando admitiam abertamente quando diziam que os filhos eram a melhor coisa que lhes tinha acontecido, que viviam apenas para os filhos e mais nada
Em que ficamos deve-se amar ou não?
Os militares diriam que é assim que se ganham as batalhas.
E eu responderia “um soldado tem a vantagem de conseguir olhar o seu inimigo nos olhos”, no dia a dia as coisas são, digamos, mais flexíveis.
Quando se forma uma espiral ascendente, eu diria que sim, já vi coisas maravilhosas, pessoas tornarem-se coisas que nunca pensaram que poderiam ser, e era apenas amizade.
Penso que todos conhecemos casos.
Grosso modo, a maior parte dos casos que conheço são espirais descendentes, em que pelo menos uma dela deixa de existir.
Depois é muito fácil separar pessoas que se amam, basta um pequeno grão de areia que leve a uma ruptura, nem precisa de ser verdade, o sofrimento é tal que ambos ficam incapazes de lidar com o assunto. Um magoado pela mentira, o outro por não ser acreditado.
Na posse, a vontade do outro, o sofrimento do outro não importam, como tal a pessoa vai insistir até o outro ceder, mentir, fazer de conta que é outra pessoa etc.
No amor, a pessoa apresenta-se tal como é, a sua maior preocupação é não magoar o outro, respeitar a sua vontade, pelo que vai sofrer em silêncio.
Por isso é que nas histórias de amor, tal como na realidade, salvo excepções, se não existir algo ou alguém que as junte uma vez separadas, é improvável que fiquem juntas e mesmo assim...
Então quando ainda mal se conhecem ou apenas começaram a ter a percepção um do outro, é das coisas mais fáceis, porque a insegurança de ambos está ao rubro e depois encarrega-se de pegar nesse grão de areia e construir uma barreira.
Porquê tanta confusão sobre o que é o amor?
Na verdade, a maior parte das pessoas não quer amar, mas quer ser amada, e é fácil de perceber porquê.
Em primeiro lugar, amar dá trabalho, preocupações, dá poder à pessoa que amamos para nos magoar, é um ponto fraco, trás preocupações adicionais, implica disponível para o outro, etc, etc.
Pelo que é muito fácil perceber a visão amor como complemento, simplesmente não se está para isso, para dar, mas está para se receber. Ou seja, se o outro interessar excelente, se der trabalho azar. Se esta visão pega, vamos ter muitos pais a dar os filhos para a adopção.
O problema da confusão com a posse
Quando a pessoa não ama, o sentimento que gera por quem a ama é posse.
Frases como por exemplo, “luta por ela” são posse, não se conquista o amor, não se impõe ao outro, não se cansa o outro até conseguir o seu amor, o amor ou surge espontâneamente ou não é amor.
Abundam centenas de frases feitas, armadas em indicadores da presença de amor, que na realidade são indicadores de posse, normalmente começam com “se te ama então”, o triste é que na esmagadora maioria dos casos, se amar mesmo vai fazer exatamente o oposto ou pelo menos o que a frase diz, não de certeza. Salvo excepções, se ama, vai fazer o que pedes.
Existe então uma frase que têm circulado muito, com muitas variações, mas que a base é esta “as pessoas que gostam de nós, arranjam sempre maneira de ficar nas nossas vidas”, só que não é verdade.
Qualquer pessoa que goste de nós, se a fizermos sentir que a queremos fora das nossas vidas, ela vai embora.
Ela só vai ficar se por qualquer motivo não poder ir, mas se ela nos amar mesmo, ela vai-se arranjar maneira e assim que puder vai, por mais que lhe doa, ela vai.
Isto é particularmente importante porque é assim que nós expulsamos das nossas vidas as pessoas que devíamos manter...
Conclusão
O amor é uma coisa muito poderosa, mas não é para todos, para alguns terá de bastar encontrarem alguém digno e merecedor, outros nunca saberão o que é amar.
E ser amado? No amor o que importa é quem se ama.
Então e a espiral ascendente? A única coisa que podemos fazer é amar alguém digno e merecedor, corresponder é algo que pertence ao outro, temos de respeitar a sua vontade e o espaço que nos dá na sua vida.
O exemplo dos pais e dos filhos, ajuda a compreender, porque felizmente, tem sido poupado a esta desinformação de uma sociedade que apela ao narcisismo, a que se use o outro.
Simples e escondido à frente dos olhos. :)
#Love :D
12 abril 2012
Portugal - honestidade precisa-se!
Há anos que digo isto, que o empregado custa em média ao patrão mais do dobro do que recebe.
Mas ninguém quer saber, o que importa é alimentar a velha guerra contra os patrões, os exploradores...
Os patrões, aqueles que criam empregos, muitos deles por carolice que tentam empurrar o país para a frente, que pagam ordenados e as despesas do estado, esses é para deitar abaixo.
Tirando alguma actividade empresarial do estado, toda a real receita do estado vem da actividade privada. Dizer que são os funcionários públicos que estão a pagar a crise é a mesma coisa que dizer que são as crianças com a semanada que ajudam os pais a pagar a renda da casa. Ou seja se os pais ficarem sem emprego e se não tiverem direito a subsídios, sempre têm a ajuda das semanada à mesma?
Tão eficaz porque os empregados e os funcionários públicos são a maioria do eleitorado.
Ui, então quando o objectivo é falar nos ordenados milionários e habilmente se fala nos mesmos antes de impostos, quando se sabe que os portugueses fazem comparações é com o que levam para casa...
O que importa se muitas vezes um ordenado milionário é de uma pessoa que deu lucro e um ordenado mínimo é de uma pessoa que deu prejuízo? Nada. E se cerca de 3/4 vão direitinhos em impostos para o estado? Nada.
Os Portugueses precisam de parar para pensar e perceber que temos de passar a ter um comportamento emergente sério e honesto. Não é que em Portugal a maioria não sejam pessoas sérias e honestas, o problema é que não são essas que estão a ditar aquele que é o comportamento colectivo nacional.
O melhor exemplo é sem dúvida o momento em que passamos, em que para que o país aceite as reformas estão a impor as medidas de austeridade que só pioram a situação.
Não é por acaso que as tão faladas reformas, nomeadamente na justiça ou na máquina fiscal sempre foram tão problemáticas e tão pouco desejadas.
É que os desonestos intimidam as pessoas sérias e honestas, fazendo-as temer um estado papão que as vêm destruir, quando no fundo é a eles que a situação actual interessa para que possam continuar a depenar as pessoas sérias e honestas.
Ou há alguém que não perceba que quando o amigalhaço foge aos impostos ou recebe subsídios indevidamente, são os que não fogem que os têm de pagar?
Ou há alguém que acredite seriamente que um país com uma justiça e uma máquina fiscal pouco eficazes é bom para pessoas honestas?
Eu sei que muitas vezes as desonestidades das pessoas são a resposta a outras de que foram alvo e a falhas graves do estado.
Não podemos dizer por exemplo, que esmagar umas empresas com impostos pesadíssimos enquanto outras vivem da economia paralela não é uma falha grave do estado.
Que quando uma empresa é alvo da desonestidade de outra, o estado não intervêm, mas exige os seus impostos, também não seja uma falha grave.
Entre muitos outros exemplos.
Mas a desonestidade não é solução, a desonestidade é apenas afundar ainda mais o buraco.
A esmagadora maioria dos portugueses ambiciona o bem estar de outros países, onde as pessoas na sua maioria dizem confiar nos habitantes dos mesmos.
Em Portugal se pergunto às pessoas se confiam nos portugueses, riem-se.
Portugal precisa de mudar, Portugal precisa de honestidade activa!
E honestidade activa implica as pessoas serem honestas nas suas opiniões, não meros repetidores de manipuladores que lhes dizem coisas simples para andarem de boca em boca.
Quantas vezes faço perguntas simples às pessoas e as deixo caladas ou me respondem que não percebem nada disso. Não percebem porque não querem porque assim podem repetir aquilo que toda a gente quer ouvir, mas que toda a gente sabe que não é verdade.
O exemplo mais espantoso é os ataques à nossa classe política, eu só pergunto, se eles dissessem a verdade, votava neles? A resposta em geral é o silêncio.
A culpa está em cada um de nós, não basta ser honesto, é preciso lutar no dia a dia conta a desonestidade.
Mas ninguém quer saber, o que importa é alimentar a velha guerra contra os patrões, os exploradores...
Os patrões, aqueles que criam empregos, muitos deles por carolice que tentam empurrar o país para a frente, que pagam ordenados e as despesas do estado, esses é para deitar abaixo.
Tirando alguma actividade empresarial do estado, toda a real receita do estado vem da actividade privada. Dizer que são os funcionários públicos que estão a pagar a crise é a mesma coisa que dizer que são as crianças com a semanada que ajudam os pais a pagar a renda da casa. Ou seja se os pais ficarem sem emprego e se não tiverem direito a subsídios, sempre têm a ajuda das semanada à mesma?
Tão eficaz porque os empregados e os funcionários públicos são a maioria do eleitorado.
Ui, então quando o objectivo é falar nos ordenados milionários e habilmente se fala nos mesmos antes de impostos, quando se sabe que os portugueses fazem comparações é com o que levam para casa...
O que importa se muitas vezes um ordenado milionário é de uma pessoa que deu lucro e um ordenado mínimo é de uma pessoa que deu prejuízo? Nada. E se cerca de 3/4 vão direitinhos em impostos para o estado? Nada.
Os Portugueses precisam de parar para pensar e perceber que temos de passar a ter um comportamento emergente sério e honesto. Não é que em Portugal a maioria não sejam pessoas sérias e honestas, o problema é que não são essas que estão a ditar aquele que é o comportamento colectivo nacional.
O melhor exemplo é sem dúvida o momento em que passamos, em que para que o país aceite as reformas estão a impor as medidas de austeridade que só pioram a situação.
Não é por acaso que as tão faladas reformas, nomeadamente na justiça ou na máquina fiscal sempre foram tão problemáticas e tão pouco desejadas.
É que os desonestos intimidam as pessoas sérias e honestas, fazendo-as temer um estado papão que as vêm destruir, quando no fundo é a eles que a situação actual interessa para que possam continuar a depenar as pessoas sérias e honestas.
Ou há alguém que não perceba que quando o amigalhaço foge aos impostos ou recebe subsídios indevidamente, são os que não fogem que os têm de pagar?
Ou há alguém que acredite seriamente que um país com uma justiça e uma máquina fiscal pouco eficazes é bom para pessoas honestas?
Eu sei que muitas vezes as desonestidades das pessoas são a resposta a outras de que foram alvo e a falhas graves do estado.
Não podemos dizer por exemplo, que esmagar umas empresas com impostos pesadíssimos enquanto outras vivem da economia paralela não é uma falha grave do estado.
Que quando uma empresa é alvo da desonestidade de outra, o estado não intervêm, mas exige os seus impostos, também não seja uma falha grave.
Entre muitos outros exemplos.
Mas a desonestidade não é solução, a desonestidade é apenas afundar ainda mais o buraco.
A esmagadora maioria dos portugueses ambiciona o bem estar de outros países, onde as pessoas na sua maioria dizem confiar nos habitantes dos mesmos.
Em Portugal se pergunto às pessoas se confiam nos portugueses, riem-se.
Portugal precisa de mudar, Portugal precisa de honestidade activa!
E honestidade activa implica as pessoas serem honestas nas suas opiniões, não meros repetidores de manipuladores que lhes dizem coisas simples para andarem de boca em boca.
Quantas vezes faço perguntas simples às pessoas e as deixo caladas ou me respondem que não percebem nada disso. Não percebem porque não querem porque assim podem repetir aquilo que toda a gente quer ouvir, mas que toda a gente sabe que não é verdade.
O exemplo mais espantoso é os ataques à nossa classe política, eu só pergunto, se eles dissessem a verdade, votava neles? A resposta em geral é o silêncio.
A culpa está em cada um de nós, não basta ser honesto, é preciso lutar no dia a dia conta a desonestidade.
05 abril 2012
Perda de 14% dos salários já ou 50% amanhã
From Portugal with love,
Continua a mesma dança da austeridade para as pessoas aceitarem as reformas mas nada.
Obviamente que acabar com o subsídio de férias e de natal é adequado e muito importante neste momento.
Adequado porque o facto de o trabalhador trabalhar 11 meses e receber 14 cria uma assimetria que faz com que na prática o custo real do trabalhador para a empresa seja sensivelmente o dobro do que recebe por mês.
Claro que em situações normais isto deveria ser feito dividindo pelos 12 meses os actuais 14 salários, eu até iria os 14 pelos 11, mas enfim.
Agora porque é que seria importante fazer isto agora retirando os subsídios?
Pelo simples motivo que os nossos salários estão demasiados elevados e isso implica-nos um custo em termos de competitividade, ou seja isto poderia de facto relançar a economia.
Claro que isto é algo muito duro para a actual realidade do país de baixos salários, mas se cairmos do euro, vamos ter um corte real que vai chegar aos 50% e isso sim claro, vai resolver este problema e o peso das reformas na actual população activa.
Por isso trata-se de entre de escolher entre um corte de 14% agora ou um de 50% daqui a dois ou três anos como defendem os que garantem que a caída de Portugal do Euro está garantida. E só está na prática se assim o quisermos.
Mas ainda assim, eu considero que muito mais importante que isto são várias reformas de mentalidade, mas como essas demoram mais tempo, eu escolhia os 14% já!
Até porque se relançar a economia, recuperar 14% é relativamente rápido, já recuperar 50% com o que tudo implica poderá não acontecer no tempo de vida da maior parte de nós.
Novamente é uma questão de matemática e é por este motivo que os portugueses odeiam a matemática.
Continua a mesma dança da austeridade para as pessoas aceitarem as reformas mas nada.
Obviamente que acabar com o subsídio de férias e de natal é adequado e muito importante neste momento.
Adequado porque o facto de o trabalhador trabalhar 11 meses e receber 14 cria uma assimetria que faz com que na prática o custo real do trabalhador para a empresa seja sensivelmente o dobro do que recebe por mês.
Claro que em situações normais isto deveria ser feito dividindo pelos 12 meses os actuais 14 salários, eu até iria os 14 pelos 11, mas enfim.
Agora porque é que seria importante fazer isto agora retirando os subsídios?
Pelo simples motivo que os nossos salários estão demasiados elevados e isso implica-nos um custo em termos de competitividade, ou seja isto poderia de facto relançar a economia.
Claro que isto é algo muito duro para a actual realidade do país de baixos salários, mas se cairmos do euro, vamos ter um corte real que vai chegar aos 50% e isso sim claro, vai resolver este problema e o peso das reformas na actual população activa.
Por isso trata-se de entre de escolher entre um corte de 14% agora ou um de 50% daqui a dois ou três anos como defendem os que garantem que a caída de Portugal do Euro está garantida. E só está na prática se assim o quisermos.
Mas ainda assim, eu considero que muito mais importante que isto são várias reformas de mentalidade, mas como essas demoram mais tempo, eu escolhia os 14% já!
Até porque se relançar a economia, recuperar 14% é relativamente rápido, já recuperar 50% com o que tudo implica poderá não acontecer no tempo de vida da maior parte de nós.
Novamente é uma questão de matemática e é por este motivo que os portugueses odeiam a matemática.
07 novembro 2010
Pensem, Portugueses, Pensem
Os portugueses deixam-se vender em troca dos votos...
Aumentos na função pública, medicamentos genéricos gratuitos para os idosos, mais umas injustiças laborais e siga...
As leis laborais dão imensos votos porque fazem muitas empresas reféns dos empregados, mas à conta disso proliferam as empresas de trabalho temporário e os recibos verdes...
Mas eleitoralmente falando, está bom, como tal, aumenta a precariedade e diminui a competitividade das empresas.
Enquanto os portugueses não perceberem que sem uma cultura de mérito e trabalho não vamos a lado nenhum pouco há a fazer.
A ideia de que existe uma fonte inesgotável de dinheiro, colónias para explorar, não terminou com a descolonização à custa do endividamento, mas até isso tem limites.
Recusam-se a reparar que as grandes empresas nas áreas das novas tecnologias preferem países mais caros, como a Inglaterra e ninguém se pergunta porquê...
Ataquem o Sócrates à vontade e depois reparem que ele é o reflexo da vontade nacional, em geral as medidas que ele toma têm o apoio da maioria da população.
É injusto o corte aos funcionários públicos, claro que é, é um corte cego que castiga tanto bons como maus trabalhadores, mas quando os próprios não exigem justiça salarial entre si, pouco há a fazer...
O Sócrates já é passado na política portuguesa e deverá ser ele mesmo a ditar o fim da política que temos tido desde o 25 de Abril, ou tomando as medidas que têm de ser tomadas (que ainda não são estas) ou demitindo-se para que seja o Passos a tomá-las.
Agora podemos olhar para o que se passa em perspectiva ou olhar para o chão e culpar quem elegemos, porque somos nós, os portugueses que fechamos os cargos de responsabilidade a pessoas sérias...
Somos nós que não exigimos leis que responsabilizem os políticos civil e criminalmente, somos nós que os deixamos ter mais direitos que o cidadão comum, quando deviam ter mais deveres.
Somos nós que os deixamos dizer o que quiserem na Assembleia da República sem terem de provar o que dizem... Motivo pelo qual abrem tantos noticiários...
Somos nós que desde o 25 de Abril, andamos a querer dinheiro sem saber muito bem de onde vem, nem quem o vai pagar...
Aumentos na função pública, medicamentos genéricos gratuitos para os idosos, mais umas injustiças laborais e siga...
As leis laborais dão imensos votos porque fazem muitas empresas reféns dos empregados, mas à conta disso proliferam as empresas de trabalho temporário e os recibos verdes...
Mas eleitoralmente falando, está bom, como tal, aumenta a precariedade e diminui a competitividade das empresas.
Enquanto os portugueses não perceberem que sem uma cultura de mérito e trabalho não vamos a lado nenhum pouco há a fazer.
A ideia de que existe uma fonte inesgotável de dinheiro, colónias para explorar, não terminou com a descolonização à custa do endividamento, mas até isso tem limites.
Recusam-se a reparar que as grandes empresas nas áreas das novas tecnologias preferem países mais caros, como a Inglaterra e ninguém se pergunta porquê...
Ataquem o Sócrates à vontade e depois reparem que ele é o reflexo da vontade nacional, em geral as medidas que ele toma têm o apoio da maioria da população.
É injusto o corte aos funcionários públicos, claro que é, é um corte cego que castiga tanto bons como maus trabalhadores, mas quando os próprios não exigem justiça salarial entre si, pouco há a fazer...
O Sócrates já é passado na política portuguesa e deverá ser ele mesmo a ditar o fim da política que temos tido desde o 25 de Abril, ou tomando as medidas que têm de ser tomadas (que ainda não são estas) ou demitindo-se para que seja o Passos a tomá-las.
Agora podemos olhar para o que se passa em perspectiva ou olhar para o chão e culpar quem elegemos, porque somos nós, os portugueses que fechamos os cargos de responsabilidade a pessoas sérias...
Somos nós que não exigimos leis que responsabilizem os políticos civil e criminalmente, somos nós que os deixamos ter mais direitos que o cidadão comum, quando deviam ter mais deveres.
Somos nós que os deixamos dizer o que quiserem na Assembleia da República sem terem de provar o que dizem... Motivo pelo qual abrem tantos noticiários...
Somos nós que desde o 25 de Abril, andamos a querer dinheiro sem saber muito bem de onde vem, nem quem o vai pagar...
30 setembro 2010
Portugal
Portugal precisa que sejam tomadas medidas que a grande maioria da população não quer.
E as principais medidas que têm de ser tomadas, são medidas mais relacionadas com aquilo a que vulgarmente se designa meritocracia.
Ou seja, a introdução de uma cultura de mérito que promova a excelência, a produtividade e a inovação.
Indirectamente isso vai implicar uma grande purga de muitos que infelizmente não merecem o que ganham, mas também precisam de encontrar outra forma de subsistência que lhes permita também ser mais produtivos e quem sabe mais felizes.
É um problema tão grave que se estima que uma grande fatia dos mais competentes a nível nacional saia todos os anos no sentido de encontrar essas condições noutros países.
Ora, como o actual código do trabalho é uma vaca sagrada, e uma cultura de mérito é algo que é visto por muitos como mais exploração, o governo vai tomando as medidas que a população vai aceitando.
É uma lógica populista ou eleitoral como queiram chamar, mas vulgarmente os comentadores políticos admitem que as medidas necessárias ao país podem levar à queda do governo porque efectivamente não existe na população seriedade para admitir que são necessárias.
Agora, nada disto é novo, só que os governantes são obrigados a fazer um discurso optimista e escondendo certos pormenores, não só porque os eleitores não querem saber, como o facto de serem conhecidos causa uma grande perda da confiança na república, com o consequente aumento dos juros a pagar pela dívida e a maior dificuldade de os bancos portugueses se financiar.
Agravando a situação do país e de todos os que têm ou precisam de créditos, e de todos os que indirectamente estão relacionados com estes últimos.
Efectivamente as medidas a tomar, neste momento obrigariam a uma união entre o PSD e o PS e de acordo com muitos analistas poderia não só fazer cair o governo, como que ambos os partidos fossem fortemente castigados nas próximas eleições.
Deixando o caminho aberto a partidos como o CDS ou BE o que pode indiciar que essas reformas seriam inúteis porque seriam rejeitadas efectivamente pelos portugueses, logo nas eleições seguintes, já para não falar da reacção generalizada dos portugueses que poderia não ser pacífica.
Segundo uma vez me contaram, à uns anos o ex-PR Ramalho Eanes tentou criar um partido mais sério (o de então, não têm nada a ver com o de agora segundo me explicaram), mas rapidamente foi descartado pelos portugueses.
Por isso a questão para ser resolvida só lá ia com um aumento da qualidade da educação dos portugueses, que infelizmente têm vindo a diminuir ao longo dos anos, pelo que é algo complicado.
Depois os media, divertem-se em usar os ordenados brutos para causar revolta nas pessoas, porque muitas pessoas pensam que um ordenado bruto e um ordenado limpo é a mesma coisa, mas não é, até porque o ordenado bruto, pode ser considerado apenas os 11 ordenados que a pessoa trabalha efectivamente (que depois são distribuídos pelos 14 limpos). Por isso muitos ordenados de 2000€ brutos que tanto deixam as pessoas revoltadas na prática deverão até ser pouco mais de 1000€ limpos.
Muito haveria a dizer, como a questão das viaturas de luxo ou combustíveis, que contabilizam o seu custo por inteiro, quando na prática grande parte desse custo é receita para o estado, sendo que do ponto de vista prático a haver poupança a fazer ali não é de perto nem de longe os números fabulosos que escandalizam as pessoas.
Depois há a desinformação da saúde, com a ideia do utilizador pagador, as pessoas não fazem ideia dos custos reais dos tratamentos médicos e os seguros de saúde têm muitas excepções e excluem muitas pessoas por terem determinados factores de risco, para além de não serem vitalícios e o seu prémio disparar caso entretanto a pessoa passar a ter riscos ou custos acrescidos.
Quem não tiver seguro de saúde, vai adiar ao máximo a ida ao médico ou recusar os tratamentos, porque ter dinheiro para pagar não implica que a pessoa aceite ficar sem nada numa tentativa de sobreviver que nem é certa, tendo a opção de morrer e deixar esse dinheiro aos seus entes queridos.
Eu sei que todas as escolhas são hipócritas e que implicam vidas humanas, até quando se coloca portagens, isto porque se sabe que menos vão usar as autoestradas, causando mais acidentes (potencialmente mortais) e poluição nas alternativas (ex: CREL - Lisboa) com efeitos graves na saúde de muitas pessoas.
Mas é como a situação dos mineiros do Chile, a quantidade de dinheiro gasta no resgate quando se faz de conta que não se sabe que muitos naquele país deverão morrer há fome, tal como até deverá ainda acontecer por cá.
Ou a hipocrisia de um tratamento de cancro que por cá custa tanto que dava para salvar centenas de vidas em África, embora seja para engrossar as margens das farmacêuticas. As mesmas que fazem com que vacinas que por cá são pagas ou dadas a pequenas faixas da população, mas em África chegam a ser dadas em massa aldeias inteiras.
Todas estas questões devem ser pensadas por todos nós, porque sinceramente não sei as respostas do que é certo ou errado fazer em cada um dos casos, apenas tenho a noção de que todas as decisões têm consequências.
Na educação, aí é que está quanto a mim o maior erro do país, há muito tempo que se sabe que a formação das pessoas compensa em termos de lucro para o estado, isto porque pagam mais IRS, SS, IVA, etc e é por aqui que se devia trabalhar para se aumentar o ordenado médio em Portugal.
Só que com a forma como se têm vindo a deteriorar, há cada vez mais dinheiro desperdiçado e jovens que efectivamente não aproveitaram e como tal dão fortes prejuízo ao estado.
Mas como não há uma vontade por parte das pessoas de levar a sua formação a sério, a ideia é passar esses custos para os pais para que a levem a sério.
Muito mais haveria para dizer, porque a desinformação, o facilitismo e o populismo levam o nosso país a passos largos para o abismo, e não se iludam que não pode acontecer, porque deverá acontecer, segundo me explicaram, a actual força de trabalho que está agora a entrar no mercado é a menos formada e menos preparada para enfrentar isto, pelo que estamos a falar de um problema geracional, que vai demorar pelo menos uma geração a passar, só que desde o 25 de Abril que o problema se agrava.
Julgo que em certa medida isto poderá ser causado pela revolta contra o antigo regime que levou a deitar tudo fora, inclusive o que tinha de bom, passou-se do 8 para o 80.
Eu sei que nas conversas de ocasião é fácil chamar mentiroso ao Sócrates, nem é preciso recortes de jornal, a questão é, se ele fosse honesto teria sido eleito?
Haverá na política portuguesa espaço para homens honestos não-mentirosos?
Deixariam os portugueses?
Aí é que está, mesmo um homem 100% íntegro teria de mentir e manipular os portugueses para ser eleito, é impressão minha ou é uma contradição?
E para terminar, não, o maior problema do país não é, nem nunca foram os apoios sociais, mas sim a ausência de justiça em todo o lado, seja em quem recebe apoio, mas principalmente em cada posto de trabalho, em que uns não trabalham, outros trabalham e no final é igual para todos.
É principalmente esta última injustiça que faz com os ordenados sejam mais baixos, porque é a dividir por muitos na hora de receber e por poucos na hora de fazer.
Por várias vezes já ouvi que o ordenado médio limpo real em Portugal é pouco mais que o ordenado mínimo, acho que isto retrata bem a nossa realidade e a significância reduzida que têm os ordenados acima do mínimo.
Mas ainda assim, são estes ordenados que pagando mais impostos são perseguidos pelos media, uma distracção relevante em termos de audiência, mas que não contribui em nada para resolver os problemas do país.
Por isso meus caros, pensem e analisem bem as coisas, porque nas conversas ou bocas de ocasião é isso que o país precisa, as pessoas não são burras, fazem-se porque interessa, mas não o são.
Agora efectivamente neste momento o mais razoável para todos os portugueses é emigrar, para outros países onde a cultura seja mais favorável ao reconhecimento do seu mérito.
Porque mesmo aqueles que muitas vezes são grandes preguiçosos por cá, por vezes se revelam excelentes profissionais apaixonados pelo trabalho deles, deixando qualquer um boquiaberto.
Os que já são excelentes por cá, obviamente que não vão surpreender em termos do seu valor, mas em termos do reconhecido que por cá lhes era negado ou mesmo sequer considerado impensável.
E as principais medidas que têm de ser tomadas, são medidas mais relacionadas com aquilo a que vulgarmente se designa meritocracia.
Ou seja, a introdução de uma cultura de mérito que promova a excelência, a produtividade e a inovação.
Indirectamente isso vai implicar uma grande purga de muitos que infelizmente não merecem o que ganham, mas também precisam de encontrar outra forma de subsistência que lhes permita também ser mais produtivos e quem sabe mais felizes.
É um problema tão grave que se estima que uma grande fatia dos mais competentes a nível nacional saia todos os anos no sentido de encontrar essas condições noutros países.
Ora, como o actual código do trabalho é uma vaca sagrada, e uma cultura de mérito é algo que é visto por muitos como mais exploração, o governo vai tomando as medidas que a população vai aceitando.
É uma lógica populista ou eleitoral como queiram chamar, mas vulgarmente os comentadores políticos admitem que as medidas necessárias ao país podem levar à queda do governo porque efectivamente não existe na população seriedade para admitir que são necessárias.
Agora, nada disto é novo, só que os governantes são obrigados a fazer um discurso optimista e escondendo certos pormenores, não só porque os eleitores não querem saber, como o facto de serem conhecidos causa uma grande perda da confiança na república, com o consequente aumento dos juros a pagar pela dívida e a maior dificuldade de os bancos portugueses se financiar.
Agravando a situação do país e de todos os que têm ou precisam de créditos, e de todos os que indirectamente estão relacionados com estes últimos.
Efectivamente as medidas a tomar, neste momento obrigariam a uma união entre o PSD e o PS e de acordo com muitos analistas poderia não só fazer cair o governo, como que ambos os partidos fossem fortemente castigados nas próximas eleições.
Deixando o caminho aberto a partidos como o CDS ou BE o que pode indiciar que essas reformas seriam inúteis porque seriam rejeitadas efectivamente pelos portugueses, logo nas eleições seguintes, já para não falar da reacção generalizada dos portugueses que poderia não ser pacífica.
Segundo uma vez me contaram, à uns anos o ex-PR Ramalho Eanes tentou criar um partido mais sério (o de então, não têm nada a ver com o de agora segundo me explicaram), mas rapidamente foi descartado pelos portugueses.
Por isso a questão para ser resolvida só lá ia com um aumento da qualidade da educação dos portugueses, que infelizmente têm vindo a diminuir ao longo dos anos, pelo que é algo complicado.
Depois os media, divertem-se em usar os ordenados brutos para causar revolta nas pessoas, porque muitas pessoas pensam que um ordenado bruto e um ordenado limpo é a mesma coisa, mas não é, até porque o ordenado bruto, pode ser considerado apenas os 11 ordenados que a pessoa trabalha efectivamente (que depois são distribuídos pelos 14 limpos). Por isso muitos ordenados de 2000€ brutos que tanto deixam as pessoas revoltadas na prática deverão até ser pouco mais de 1000€ limpos.
Muito haveria a dizer, como a questão das viaturas de luxo ou combustíveis, que contabilizam o seu custo por inteiro, quando na prática grande parte desse custo é receita para o estado, sendo que do ponto de vista prático a haver poupança a fazer ali não é de perto nem de longe os números fabulosos que escandalizam as pessoas.
Depois há a desinformação da saúde, com a ideia do utilizador pagador, as pessoas não fazem ideia dos custos reais dos tratamentos médicos e os seguros de saúde têm muitas excepções e excluem muitas pessoas por terem determinados factores de risco, para além de não serem vitalícios e o seu prémio disparar caso entretanto a pessoa passar a ter riscos ou custos acrescidos.
Quem não tiver seguro de saúde, vai adiar ao máximo a ida ao médico ou recusar os tratamentos, porque ter dinheiro para pagar não implica que a pessoa aceite ficar sem nada numa tentativa de sobreviver que nem é certa, tendo a opção de morrer e deixar esse dinheiro aos seus entes queridos.
Eu sei que todas as escolhas são hipócritas e que implicam vidas humanas, até quando se coloca portagens, isto porque se sabe que menos vão usar as autoestradas, causando mais acidentes (potencialmente mortais) e poluição nas alternativas (ex: CREL - Lisboa) com efeitos graves na saúde de muitas pessoas.
Mas é como a situação dos mineiros do Chile, a quantidade de dinheiro gasta no resgate quando se faz de conta que não se sabe que muitos naquele país deverão morrer há fome, tal como até deverá ainda acontecer por cá.
Ou a hipocrisia de um tratamento de cancro que por cá custa tanto que dava para salvar centenas de vidas em África, embora seja para engrossar as margens das farmacêuticas. As mesmas que fazem com que vacinas que por cá são pagas ou dadas a pequenas faixas da população, mas em África chegam a ser dadas em massa aldeias inteiras.
Todas estas questões devem ser pensadas por todos nós, porque sinceramente não sei as respostas do que é certo ou errado fazer em cada um dos casos, apenas tenho a noção de que todas as decisões têm consequências.
Na educação, aí é que está quanto a mim o maior erro do país, há muito tempo que se sabe que a formação das pessoas compensa em termos de lucro para o estado, isto porque pagam mais IRS, SS, IVA, etc e é por aqui que se devia trabalhar para se aumentar o ordenado médio em Portugal.
Só que com a forma como se têm vindo a deteriorar, há cada vez mais dinheiro desperdiçado e jovens que efectivamente não aproveitaram e como tal dão fortes prejuízo ao estado.
Mas como não há uma vontade por parte das pessoas de levar a sua formação a sério, a ideia é passar esses custos para os pais para que a levem a sério.
Muito mais haveria para dizer, porque a desinformação, o facilitismo e o populismo levam o nosso país a passos largos para o abismo, e não se iludam que não pode acontecer, porque deverá acontecer, segundo me explicaram, a actual força de trabalho que está agora a entrar no mercado é a menos formada e menos preparada para enfrentar isto, pelo que estamos a falar de um problema geracional, que vai demorar pelo menos uma geração a passar, só que desde o 25 de Abril que o problema se agrava.
Julgo que em certa medida isto poderá ser causado pela revolta contra o antigo regime que levou a deitar tudo fora, inclusive o que tinha de bom, passou-se do 8 para o 80.
Eu sei que nas conversas de ocasião é fácil chamar mentiroso ao Sócrates, nem é preciso recortes de jornal, a questão é, se ele fosse honesto teria sido eleito?
Haverá na política portuguesa espaço para homens honestos não-mentirosos?
Deixariam os portugueses?
Aí é que está, mesmo um homem 100% íntegro teria de mentir e manipular os portugueses para ser eleito, é impressão minha ou é uma contradição?
E para terminar, não, o maior problema do país não é, nem nunca foram os apoios sociais, mas sim a ausência de justiça em todo o lado, seja em quem recebe apoio, mas principalmente em cada posto de trabalho, em que uns não trabalham, outros trabalham e no final é igual para todos.
É principalmente esta última injustiça que faz com os ordenados sejam mais baixos, porque é a dividir por muitos na hora de receber e por poucos na hora de fazer.
Por várias vezes já ouvi que o ordenado médio limpo real em Portugal é pouco mais que o ordenado mínimo, acho que isto retrata bem a nossa realidade e a significância reduzida que têm os ordenados acima do mínimo.
Mas ainda assim, são estes ordenados que pagando mais impostos são perseguidos pelos media, uma distracção relevante em termos de audiência, mas que não contribui em nada para resolver os problemas do país.
Por isso meus caros, pensem e analisem bem as coisas, porque nas conversas ou bocas de ocasião é isso que o país precisa, as pessoas não são burras, fazem-se porque interessa, mas não o são.
Agora efectivamente neste momento o mais razoável para todos os portugueses é emigrar, para outros países onde a cultura seja mais favorável ao reconhecimento do seu mérito.
Porque mesmo aqueles que muitas vezes são grandes preguiçosos por cá, por vezes se revelam excelentes profissionais apaixonados pelo trabalho deles, deixando qualquer um boquiaberto.
Os que já são excelentes por cá, obviamente que não vão surpreender em termos do seu valor, mas em termos do reconhecido que por cá lhes era negado ou mesmo sequer considerado impensável.
14 julho 2010
Amizade
O que é a amizade?
Será a amizade estar simplesmente lá para quando os amigos precisam?
Será a amizade confrontar os amigos, mesmo quando não querem?
Será apenas dar um ombro amigo e fazer de conta que compreendemos?
Sinceramente, não sei.
Sei é que não consigo ser amigo de ninguém sem ser sincero, frontal. O que é muito duro e muito complicado. Especialmente que nem sempre consigo dizer as coisas com a moderação que deveria, o que é lamentável.
Ainda hoje fui mais uma vez surpreendido por uma amiga minha e da Célia, que eu nem reconheci de tão diferente que estava.
Ela percebeu que não a tínhamos sequer reconhecido e veio então ela falar connosco, já não a víamos há mais de um ano, gostei bastante de a ver, muito mais alegre e bem disposta, e claro a vender saúde. :)
Eu sinceramente não sei que tipo de conversas terei tido com ela, mas sei que fui sincero com ela, tal como fui com todos naquele sítio. O que para muitos é uma grande crueldade.
O mais provável é ter sido mesmo cruel ou desagradável com ela, não sei, passei por alguns momentos muito complicados pelo meio, inclusive perdi uma amiga com cancro nessa altura. E nesse caso terei pecado por defeito, por ser uma amiga de longa data e nunca me ter passado pela cabeça que ela não estivesse a ser sincera. Quando percebi a forma como ela estava a encarar as coisas era tarde demais e isso puxou ainda mais por mim neste aspecto desagradável.
Lamento dizer, mas não dei o ombro para ninguém chorar, ouvia o que todos tinham para dizer, compreendia-os, mas sempre os motivei a encontrar alternativas, a lutarem por aquilo que os fazia felizes.
Nunca fui de pintar cenários cor de rosa, sempre fui de enfrentar a realidade dos factos e identificar os factores de risco associados.
Sempre fui de defender que os adamastores podem ser vencidos, desde que estejamos dispostos a isso.
A verdade é que esta não foi a primeira vez que fomos surpreendidos por antigos companheiros que já não víamos há imenso tempo, com os quais tinha tido este relacionamento controverso, na verdade foi pelo menos a 4ª vez.
Não sei qual o verdadeiro motivo pelo qual fazem questão de falar connosco quando seria mais fácil ainda simplesmente fazer de conta que não nos tinham visto ou reconhecido.
Terá sido porque num momento complicado das suas vidas sentiram que alguém não se esteve a borrifar para eles? Será por uma questão de pena? Não sei, o que sei é que tipicamente as pessoas me gostam de rotular de intrometido, de arrogante, de que tenho a mania, etc.
O que é engraçado é de que de uma forma ou de outra com estas pessoas até teríamos tido muito para falar caso tivesse existido essa oportunidade.
Um chegou a pedir-me para ir lá falar com ele à sala já que ia lá ficar umas boas horas, mas era uma área reservada e as salas não estão feitas para as pessoas estarem acompanhadas. E claro a minha reputação ainda deve ser conhecida pelos enfermeiros.
É que contrariamente às pessoas que fazem voluntariado nos hospitais, eu não dou palavras de conforto, é de desconforto mesmo, faço as pessoas sentir que podem efectivamente controlar e ultrapassar os problemas que têm.
É que quando acreditamos que não conseguimos, não conseguimos.
Por isso, tentando responder à pergunta, a função do amigo não é certificar-se de que os amigos não precisam de um ombro para chorar?
É certo que não tenho muitos amigos, é certo que sou bruto com eles, mas na maioria dos casos não me tenho de preocupar com eles, porque de uma forma ou de outra eles estão bem com a sua vida.
Sabem o que querem e muitas vezes até sabem bem o que penso das asneiras que andam a fazer, mas quando precisam ou eu preciso, é na hora.
O que é mais estranho, é socialmente ou melhor oficialmente nem sermos amigos, por este ou por aquele motivo, e estarmos por vezes muitos anos sem nos falarmos.
Mas quando nos encontramos é como se tivéssemos sido sempre grandes amigos.
Será este o desígnio da nossa sociedade, que obriga a amizade sincera a ser clandestina? Não sei, sei que por vezes a sociedade tem tendência a colocar uma carga sobre a amizade que não é real, tendo no meu caso chegado a por em causa a minha orientação sexual.
Actualmente o maior problema é sempre com as amigas, algumas casadas, outras com namorados, é sempre um bocado complicado. Uma vez estava a falar com uma na presença do marido e o homem não conseguia disfarçar o quanto incomodado estava, embora fosse uma conversa perfeitamente normal.
E eu até sou daquelas pessoas que evita ao máximo fazer elogios ao cabelo, à roupa ou aos sapatos, tocar ou dar beijinhos porque tento ao máximo evitar mal entendidos e problemas, apesar de saber quão importante é esse tipo de feedback para as mulheres.
Por isso, o moral da história, acho que é este, se tens muitos amigos sempre a chorar no teu ombro, então tu és parte do problema, não és parte da solução.
Será a amizade estar simplesmente lá para quando os amigos precisam?
Será a amizade confrontar os amigos, mesmo quando não querem?
Será apenas dar um ombro amigo e fazer de conta que compreendemos?
Sinceramente, não sei.
Sei é que não consigo ser amigo de ninguém sem ser sincero, frontal. O que é muito duro e muito complicado. Especialmente que nem sempre consigo dizer as coisas com a moderação que deveria, o que é lamentável.
Ainda hoje fui mais uma vez surpreendido por uma amiga minha e da Célia, que eu nem reconheci de tão diferente que estava.
Ela percebeu que não a tínhamos sequer reconhecido e veio então ela falar connosco, já não a víamos há mais de um ano, gostei bastante de a ver, muito mais alegre e bem disposta, e claro a vender saúde. :)
Eu sinceramente não sei que tipo de conversas terei tido com ela, mas sei que fui sincero com ela, tal como fui com todos naquele sítio. O que para muitos é uma grande crueldade.
O mais provável é ter sido mesmo cruel ou desagradável com ela, não sei, passei por alguns momentos muito complicados pelo meio, inclusive perdi uma amiga com cancro nessa altura. E nesse caso terei pecado por defeito, por ser uma amiga de longa data e nunca me ter passado pela cabeça que ela não estivesse a ser sincera. Quando percebi a forma como ela estava a encarar as coisas era tarde demais e isso puxou ainda mais por mim neste aspecto desagradável.
Lamento dizer, mas não dei o ombro para ninguém chorar, ouvia o que todos tinham para dizer, compreendia-os, mas sempre os motivei a encontrar alternativas, a lutarem por aquilo que os fazia felizes.
Nunca fui de pintar cenários cor de rosa, sempre fui de enfrentar a realidade dos factos e identificar os factores de risco associados.
Sempre fui de defender que os adamastores podem ser vencidos, desde que estejamos dispostos a isso.
A verdade é que esta não foi a primeira vez que fomos surpreendidos por antigos companheiros que já não víamos há imenso tempo, com os quais tinha tido este relacionamento controverso, na verdade foi pelo menos a 4ª vez.
Não sei qual o verdadeiro motivo pelo qual fazem questão de falar connosco quando seria mais fácil ainda simplesmente fazer de conta que não nos tinham visto ou reconhecido.
Terá sido porque num momento complicado das suas vidas sentiram que alguém não se esteve a borrifar para eles? Será por uma questão de pena? Não sei, o que sei é que tipicamente as pessoas me gostam de rotular de intrometido, de arrogante, de que tenho a mania, etc.
O que é engraçado é de que de uma forma ou de outra com estas pessoas até teríamos tido muito para falar caso tivesse existido essa oportunidade.
Um chegou a pedir-me para ir lá falar com ele à sala já que ia lá ficar umas boas horas, mas era uma área reservada e as salas não estão feitas para as pessoas estarem acompanhadas. E claro a minha reputação ainda deve ser conhecida pelos enfermeiros.
É que contrariamente às pessoas que fazem voluntariado nos hospitais, eu não dou palavras de conforto, é de desconforto mesmo, faço as pessoas sentir que podem efectivamente controlar e ultrapassar os problemas que têm.
É que quando acreditamos que não conseguimos, não conseguimos.
Por isso, tentando responder à pergunta, a função do amigo não é certificar-se de que os amigos não precisam de um ombro para chorar?
É certo que não tenho muitos amigos, é certo que sou bruto com eles, mas na maioria dos casos não me tenho de preocupar com eles, porque de uma forma ou de outra eles estão bem com a sua vida.
Sabem o que querem e muitas vezes até sabem bem o que penso das asneiras que andam a fazer, mas quando precisam ou eu preciso, é na hora.
O que é mais estranho, é socialmente ou melhor oficialmente nem sermos amigos, por este ou por aquele motivo, e estarmos por vezes muitos anos sem nos falarmos.
Mas quando nos encontramos é como se tivéssemos sido sempre grandes amigos.
Será este o desígnio da nossa sociedade, que obriga a amizade sincera a ser clandestina? Não sei, sei que por vezes a sociedade tem tendência a colocar uma carga sobre a amizade que não é real, tendo no meu caso chegado a por em causa a minha orientação sexual.
Actualmente o maior problema é sempre com as amigas, algumas casadas, outras com namorados, é sempre um bocado complicado. Uma vez estava a falar com uma na presença do marido e o homem não conseguia disfarçar o quanto incomodado estava, embora fosse uma conversa perfeitamente normal.
E eu até sou daquelas pessoas que evita ao máximo fazer elogios ao cabelo, à roupa ou aos sapatos, tocar ou dar beijinhos porque tento ao máximo evitar mal entendidos e problemas, apesar de saber quão importante é esse tipo de feedback para as mulheres.
Por isso, o moral da história, acho que é este, se tens muitos amigos sempre a chorar no teu ombro, então tu és parte do problema, não és parte da solução.
15 julho 2009
O problema da fusão de papéis
Hoje um dos temas quentes do twitter foi precisamente a questão da segurança, ou melhor dizendo das suas falhas de segurança.
Existem quanto a mim, duas grandes fontes destes problemas, por um lado os clientes, sejam internos ou externos, pagam funcionalidades e dão a segurança como um dado adquirido, os prazos são geralmente apenas pensado em termos de funcionalidades, por outro lado, existe o problema da fusão de papeis, tarefas que deviam ser executadas por pessoas diferentes são na realidade executadas pelas mesmas pessoas.
Mesmo no caso do desenvolvimento de software, o developer têm um reforço positivo quando os testes correm, e um reforço negativo quando quebram.
Como o seu cérebro funciona no sentido dos reforços positivos, isto motiva o developer a corrigí-los e a não quebrá-los, mesmo quando tem mesmo de o fazer para avançar.
A situação piora quando o developer quer testar a sua aplicação, criando novos testes, sendo de certa forma traído pelo seu próprio cérebro que não o ajuda a criar bons testes para o quebrar.
No entanto existem possíveis soluções, como gerar testes aleatóriamente ou todos os casos possíveis (quando é possível), ou recorrer apenas aos use-cases e depois ir adicionando à medida que vão sendo reportados bugs.
Mas a melhor solução é sem dúvida ter um tester especializado, idealmente até pode ser um gajo do contra, cujo prazer lhe vem apenas de encontrar falhas no trabalho dos outros, o que importa é que ele tenha prazer em encontrar bugs e a reportá-los para que possam ser criados os testes.
Quando falamos em termos de segurança, a situação é ainda mais complicada, porque normalmente as consequências são maiores, pelo que a questão dos reforços é ainda mais evidente.
Obviamente não é dizer que o developer não deva perceber de segurança, claro que sim, o máximo possível, mas o objectivo dele é protecção, o tester é penetração.
Eu sou a favor de disputas amigáveis entre developers e testers.
Existem quanto a mim, duas grandes fontes destes problemas, por um lado os clientes, sejam internos ou externos, pagam funcionalidades e dão a segurança como um dado adquirido, os prazos são geralmente apenas pensado em termos de funcionalidades, por outro lado, existe o problema da fusão de papeis, tarefas que deviam ser executadas por pessoas diferentes são na realidade executadas pelas mesmas pessoas.
Mesmo no caso do desenvolvimento de software, o developer têm um reforço positivo quando os testes correm, e um reforço negativo quando quebram.
Como o seu cérebro funciona no sentido dos reforços positivos, isto motiva o developer a corrigí-los e a não quebrá-los, mesmo quando tem mesmo de o fazer para avançar.
A situação piora quando o developer quer testar a sua aplicação, criando novos testes, sendo de certa forma traído pelo seu próprio cérebro que não o ajuda a criar bons testes para o quebrar.
No entanto existem possíveis soluções, como gerar testes aleatóriamente ou todos os casos possíveis (quando é possível), ou recorrer apenas aos use-cases e depois ir adicionando à medida que vão sendo reportados bugs.
Mas a melhor solução é sem dúvida ter um tester especializado, idealmente até pode ser um gajo do contra, cujo prazer lhe vem apenas de encontrar falhas no trabalho dos outros, o que importa é que ele tenha prazer em encontrar bugs e a reportá-los para que possam ser criados os testes.
Quando falamos em termos de segurança, a situação é ainda mais complicada, porque normalmente as consequências são maiores, pelo que a questão dos reforços é ainda mais evidente.
Obviamente não é dizer que o developer não deva perceber de segurança, claro que sim, o máximo possível, mas o objectivo dele é protecção, o tester é penetração.
Eu sou a favor de disputas amigáveis entre developers e testers.
25 junho 2009
Público vs Privado
Existe uma coisa que eu acho uma certa piada, é que as pessoas acham que só tem mal tornar as coisas públicas, que privadas não faz mal.
Seja o que se for que se faça, desde que fique privado, que nunca se saiba, que ninguém saiba, não faz mal.
E se souber desde que ninguém acredite, que quem o disser caia no ridículo, não tem mal.
Então e os factos, a verdade, já nada disso importa?
Serei assim tão idealista?
PS: Eu sei, já pareço um jornalista... LOL
Seja o que se for que se faça, desde que fique privado, que nunca se saiba, que ninguém saiba, não faz mal.
E se souber desde que ninguém acredite, que quem o disser caia no ridículo, não tem mal.
Então e os factos, a verdade, já nada disso importa?
Serei assim tão idealista?
PS: Eu sei, já pareço um jornalista... LOL
20 junho 2009
Porque é que ninguém investiga em Portugal
Tecnologicamente falando, o meu cavalo de batalha, é algo que se pode considerar como um dialecto de Model Driven Architecture ou Intentional Programming.
Já não basta em Portugal a mentalidade ser muito contra quem se atreve a fazer alguma coisa, volta e meia uma pessoa leva com investidas que tentam de alguma forma desacreditar o trabalho de anos e se possível sacar alguma coisa para re-implementarem ou fazerem bonito numa entrevista de trabalho.
Por exemplo, já me pediram directamente para explicar como funcionava a minha framework de testes para que fizessem boa figura num emprego (do qual acabou por ser despedido pouco depois), e tive uma reacção muito negativa quando tentei explicar que a pessoa estava a querer que lhe desse meses de trabalho em troca de nada.
Há uns tempos tive uma longa discussão com um desses amigos que me confrontou com uma framework de MDA em questão, e até lhe fiz o favor de a analisar e de a comparar. De facto era uma framework bastante evoluída face à minha, no entanto algumas especificadades da minha fazem-me com que por agora continue com ela. O que não quer dizer que no futuro a minha decisão seja a mesma ou que se fosse começar agora teria começado a minha em vez de usar directamente essa.
À uns tempos, porém falei com uma pessoa que admirei ao longo do meu curso no IST, era um colega mais velho que sempre admirei pelos seus vastos conhecimentos e projectos em que se envolvia com resultados positivos.
Expliquei-lhe em linhas gerais a minha linha de trabalho, ele depois pediu-me que lhe explicasse e mostrasse um pouco da DSL principal que uso. Quando ele me perguntou que vantagens tinha em relação a um qualquer outro ambiente de desenvolvimento, fiquei um pouco estupefacto e respondi-lhe as vantagens genéricas destas abordagens como independência de plataforma ou separação de preocupações.
Mas se aquilo em que trabalho é completamente irrelevante em termos de produtividade, porque é que o Intentional Programming que é um projecto de investigação com mais de 20 anos ou se investe tanto em MDA? Porque é que a Microsoft vai lançar no próximo VS suporte a DSLs? Acho que nem merece resposta.
Obviamente que não vou discutir aquilo que se pode ou não fazer com uma dada linguagem, até porque com assembly consegue-se fazer tudo, mas o que se estava a discutir era o que tenho andado a investir, ao que ele reduz a nada porque não vê nada para além do que já existe no mercado.
Mesmo que todo o meu investimento seja completamente inútil, é sempre prematuro dar uma opinião dessas sem ver mais detalhes.
Quando ele me perguntou pela DSL, ele já se tinha decidido, porque quando se redus todo um trabalho a uma DSL, muito já se perdeu. Porque em situações normais, estaria mais preocupado em perguntar-me por plataformas, linguagens, toolkits, etc.
É como reduzir um browser ao HTML.
Agora resta saber qual a intenção dele, se estaria a pensar em como re-implementar, se estaria meramente a reagir à portuguesa e a deitar abaixo, just because.
Uma coisa é certa, se uma pessoa tem interesse em ajudar, o seu interesse surge muito antes da DSL, quer saber outros pormenores, desde quando o HTML ou o XHTML são o mais importante num browser?, como tal não faz sentido prolongar a conversa just because.
Não vale a pena contar novamente a experiência da gaiola dos macacos e das bananas, mas parece-me que no caso dele, ele também já está a espancar.
Já não basta em Portugal a mentalidade ser muito contra quem se atreve a fazer alguma coisa, volta e meia uma pessoa leva com investidas que tentam de alguma forma desacreditar o trabalho de anos e se possível sacar alguma coisa para re-implementarem ou fazerem bonito numa entrevista de trabalho.
Por exemplo, já me pediram directamente para explicar como funcionava a minha framework de testes para que fizessem boa figura num emprego (do qual acabou por ser despedido pouco depois), e tive uma reacção muito negativa quando tentei explicar que a pessoa estava a querer que lhe desse meses de trabalho em troca de nada.
Há uns tempos tive uma longa discussão com um desses amigos que me confrontou com uma framework de MDA em questão, e até lhe fiz o favor de a analisar e de a comparar. De facto era uma framework bastante evoluída face à minha, no entanto algumas especificadades da minha fazem-me com que por agora continue com ela. O que não quer dizer que no futuro a minha decisão seja a mesma ou que se fosse começar agora teria começado a minha em vez de usar directamente essa.
À uns tempos, porém falei com uma pessoa que admirei ao longo do meu curso no IST, era um colega mais velho que sempre admirei pelos seus vastos conhecimentos e projectos em que se envolvia com resultados positivos.
Expliquei-lhe em linhas gerais a minha linha de trabalho, ele depois pediu-me que lhe explicasse e mostrasse um pouco da DSL principal que uso. Quando ele me perguntou que vantagens tinha em relação a um qualquer outro ambiente de desenvolvimento, fiquei um pouco estupefacto e respondi-lhe as vantagens genéricas destas abordagens como independência de plataforma ou separação de preocupações.
Mas se aquilo em que trabalho é completamente irrelevante em termos de produtividade, porque é que o Intentional Programming que é um projecto de investigação com mais de 20 anos ou se investe tanto em MDA? Porque é que a Microsoft vai lançar no próximo VS suporte a DSLs? Acho que nem merece resposta.
Obviamente que não vou discutir aquilo que se pode ou não fazer com uma dada linguagem, até porque com assembly consegue-se fazer tudo, mas o que se estava a discutir era o que tenho andado a investir, ao que ele reduz a nada porque não vê nada para além do que já existe no mercado.
Mesmo que todo o meu investimento seja completamente inútil, é sempre prematuro dar uma opinião dessas sem ver mais detalhes.
Quando ele me perguntou pela DSL, ele já se tinha decidido, porque quando se redus todo um trabalho a uma DSL, muito já se perdeu. Porque em situações normais, estaria mais preocupado em perguntar-me por plataformas, linguagens, toolkits, etc.
É como reduzir um browser ao HTML.
Agora resta saber qual a intenção dele, se estaria a pensar em como re-implementar, se estaria meramente a reagir à portuguesa e a deitar abaixo, just because.
Uma coisa é certa, se uma pessoa tem interesse em ajudar, o seu interesse surge muito antes da DSL, quer saber outros pormenores, desde quando o HTML ou o XHTML são o mais importante num browser?, como tal não faz sentido prolongar a conversa just because.
Não vale a pena contar novamente a experiência da gaiola dos macacos e das bananas, mas parece-me que no caso dele, ele também já está a espancar.
10 maio 2009
O Poder da Desinformação
Frequentemente vêm a público vários economistas alertar para a gravíssima situação do nosso país. Olham numa perspectiva de dívida pública, de endividamento, falam de atrasos estruturais, são muito genéricos, mas grosso modo quase todos evitam o verdadeiro problema.
O grande problema como aparentemente terá dito Che Guevara, é a falta de educação das pessoas, que por esse motivo são muito fáceis de enganar.
É certo que ele defendia o comunismo, e na verdade em termos de princípios o comunismo até tem tudo para ser uma coisa boa. O problema é que depois em todas as experiências práticas acabou por se revelar um fracasso levando a uma pobreza generalizada, a um modelo de trabalho semelhante à escravatura e ao completamente esmagamento das liberdades e gostos individuais.
Mas o comunismo continua a funcionar lindamente em termos de campanhas eleitorais. E a explicação é simples, uma pessoa que tenha 10 milhões de euros é riquíssima, para uma pessoa que ganha o ordenado mínimo. Como tal qualquer comunista facilmente convence as pessoas dessa injustiça, que o que tem devia ser distribuído pelos pobres.
Só que como qualquer pessoa sabe 10 milhões de euros, distribuídos por 10 milhões de pessoas, dá 1 euro para cada uma, ou seja, do ponto de vista prático não tem resultados significativos, ou seja, são modelos apenas pensados para explorar a falta de conhecimentos das pessoas.
Obviamente que aplicando a todos os ditos "ricos" e "poderosos" em Portugal, talvez desse mil euros a cada um, mesmo com mil euros a cada um, a melhoria na vida das pessoas seria assim tão significativa? Claro que não.
Como tal, todos estes partidos, quando se apanham no poder, começam automaticamente a tentar introduzir uma ditadura, porque a realidade o que eles prometeram não é matematicamente possível e nunca foi. Quem estiver atento às lides partidárias dos partidos comunistas em Portugal já deve ter reparado que qualquer membro do partido que discorde publicamente e frontamente do líder é automaticamente expulso ou no mínimo posto de parte.
Para além do mais estes partidos sabem que em países como Portugal, a riqueza nacional está a fugir do país, ou seja, quando menos riqueza há no país, menor é a riqueza total que em teoria se poderia distribuir por todos. É por isso que em muitos países comunistas existem fortes contenções em termos de importações e compras por atacado para conseguir melhores preços, em deterimento da variedade de produtos.
Mas estruturalmente não se têm feito nada em Portugal, porquê? Porque provavelmente o golpe de estado militar que tivemos em Portugal foi autorizado pelo próprio governo de então, para evitar uma revolução comunista. Porque, ora vejamos existia uma onda comunista a varrer o país, o país estava numa situação económica muito má, o que aumentava em muito a probabilidade de uma revolução.
A Igreja Católica ainda tentou travar a investida, assustando as pessoas com o monstro do comunismo, como por exemplo é possível ver nalguma associação feita em torno das aparições de Fátima.
Mas porque é que isto é relevante, porque em Portugal antes do 25 de Abril, as pessoas viviam numa grande pobreza, num modelo de autêntica escravatura, obviamente que existiam muitos abusos (ainda os existem) e foi neste contexto que o comunismo se espalhou como a solução para o problema, bastando para isso apreender os bens dos proprietários dos terrenos.
Com o 25 de Abril, os governos que se seguiram tentaram seguir as ideias do comunismo que era o que o povo queria, mas tentando evitá-lo, recorrendo um bocado à Igreja Católica que temia o Comunismo por este ser fortemente ateu. Alguns teóricos dizem que o socialismo português foi formado por comunistas que foram rejeitados pelo partido comunista e que apenas se diferenciaram para serem eleitos.
Não sei exactamente quando, nem a sua extensão, mas sei que após o 25 de Abril, realizaram muitas nacionalizações e começaram cada vez mais a introduzir direitos para os trabalhadores e a aumentar os seus ordenados. Obviamente que os partidos de esquerda continuaram a vender mais direitos e riqueza que nunca existiu.
Como essa riqueza não existe, e não é possível dar direitos a uma pessoa sem tirar direitos a outra, nunca foi possível a nenhum governo resolver o problema de vez. Ao invés disso, foram manipulando a realidade mas numa perspectiva eleitoral.
O truque na realidade é muito simples, a grande maioria dos portugueses (80% ou mais) trabalha em empresas com uma dimensão muito reduzida, onde graças à reduzia dimensão da empresa não existem estruturas que permitam lidar com os empregados de forma adequada.
Nem especialistas em recursos humanos, nem psicologos organizacionais, nem advogados especialistas em código do trabalho, nem testemunhas suficientes para fazer prova em tribunal, nem departamentos para enfiar indesejáveis, nem outros postos ou instalações para separar colegas em conflito, etc.
Ou seja basta muitas vezes um e só um trabalhador para levar uma empresa à falência.
Normalmente o que sucede é um regime de abusos por parte dos empregados, em que geralmente têm um ordenado completamente dissociado daquilo que produzem, sendo que ou são os colegas que pagam o seu ordenado do seu trabalho ou é o próprio patrão que trabalha para lhe pagar o ordenado.
O resultado disto é muito simples, estas empresas apresentam um indice de rentabilidade muito baixo comparativamente com as grandes empresas que têm todos esses mecanimos de protecção, mas só empregam 20% ou menos dos trabalhadores.
Este fenómeno está amplamento estudado, mas nada se faz porque 80% dos trabalhadores estão em empresas onde eles têm mais direitos que os ditos patrões, os casos em que ocorrem as injustiças representam uma fracção menor dos trabalhores. E nessas empresas não há nada a fazer, porque mesmo como está a situação actualmente muitas delas já evitam instalar-se em Portugal por causa disso e recorrem fortemente ao trabalho temporário.
Faz sentido grandes empresas tecnológicas instalarem-se em Portugal graças a subsídios terem a grande maioria dos seus Engs subcontratados através de empresas de trabalho temporário? Claro que não, mas se não for assim, elas não vêm.
O grande problema é que ao longo de 30 anos, a educação falhou, e após mais de 30 anos a prometer direitos que não são possíveis, as pessoas estão à beira da ruputura, embora alguns especialistas achem que as pessoas talvez aguentem mais umas dezenas de anos. Mas o mais preocupante é que o nosso país não suporta os direitos actuais, ou se aumenta a riqueza ou se diminuem os direitos e esse é o problema.
E porque é que é problema? É que para aumentar a riqueza é preciso dinamizar a economia, e o melhor sítio para o fazer é junto das PMEs e para isso é preciso mudar o código do trabalho radicalmente, para um modelo em que o estado é uma grande empresa de trabalho temporário.
Porque alguns direitos são legítimos, mas são legítimos numa perspectiva de país, mas não numa perspectiva de uma empresa, porque certos direitos numa grande não causam mossa, mas numa pequena causam falência.
Mas mesmo para as pessoas é pior, e até elas sabem, pois preferem trabalhar em grandes empresas apesar dos abusos que estas praticam. Porque como as pequenas são muito vulneráveis e basta um trabalhador, por muito bom que seja fazer pouco do patrão, o risco de desemprego ou de falência e não levar indeminização é algo sempre muito assustador.
Por isso não só a desinformação nos levou até uma situação económica lamentável, como a desinformação nos impede de enfrentar a realidade e tomar as decisões necessárias. Mas existem eleições em disputa e há que disputar os lugares do poleiro.
O grande problema como aparentemente terá dito Che Guevara, é a falta de educação das pessoas, que por esse motivo são muito fáceis de enganar.
É certo que ele defendia o comunismo, e na verdade em termos de princípios o comunismo até tem tudo para ser uma coisa boa. O problema é que depois em todas as experiências práticas acabou por se revelar um fracasso levando a uma pobreza generalizada, a um modelo de trabalho semelhante à escravatura e ao completamente esmagamento das liberdades e gostos individuais.
Mas o comunismo continua a funcionar lindamente em termos de campanhas eleitorais. E a explicação é simples, uma pessoa que tenha 10 milhões de euros é riquíssima, para uma pessoa que ganha o ordenado mínimo. Como tal qualquer comunista facilmente convence as pessoas dessa injustiça, que o que tem devia ser distribuído pelos pobres.
Só que como qualquer pessoa sabe 10 milhões de euros, distribuídos por 10 milhões de pessoas, dá 1 euro para cada uma, ou seja, do ponto de vista prático não tem resultados significativos, ou seja, são modelos apenas pensados para explorar a falta de conhecimentos das pessoas.
Obviamente que aplicando a todos os ditos "ricos" e "poderosos" em Portugal, talvez desse mil euros a cada um, mesmo com mil euros a cada um, a melhoria na vida das pessoas seria assim tão significativa? Claro que não.
Como tal, todos estes partidos, quando se apanham no poder, começam automaticamente a tentar introduzir uma ditadura, porque a realidade o que eles prometeram não é matematicamente possível e nunca foi. Quem estiver atento às lides partidárias dos partidos comunistas em Portugal já deve ter reparado que qualquer membro do partido que discorde publicamente e frontamente do líder é automaticamente expulso ou no mínimo posto de parte.
Para além do mais estes partidos sabem que em países como Portugal, a riqueza nacional está a fugir do país, ou seja, quando menos riqueza há no país, menor é a riqueza total que em teoria se poderia distribuir por todos. É por isso que em muitos países comunistas existem fortes contenções em termos de importações e compras por atacado para conseguir melhores preços, em deterimento da variedade de produtos.
Mas estruturalmente não se têm feito nada em Portugal, porquê? Porque provavelmente o golpe de estado militar que tivemos em Portugal foi autorizado pelo próprio governo de então, para evitar uma revolução comunista. Porque, ora vejamos existia uma onda comunista a varrer o país, o país estava numa situação económica muito má, o que aumentava em muito a probabilidade de uma revolução.
A Igreja Católica ainda tentou travar a investida, assustando as pessoas com o monstro do comunismo, como por exemplo é possível ver nalguma associação feita em torno das aparições de Fátima.
Mas porque é que isto é relevante, porque em Portugal antes do 25 de Abril, as pessoas viviam numa grande pobreza, num modelo de autêntica escravatura, obviamente que existiam muitos abusos (ainda os existem) e foi neste contexto que o comunismo se espalhou como a solução para o problema, bastando para isso apreender os bens dos proprietários dos terrenos.
Com o 25 de Abril, os governos que se seguiram tentaram seguir as ideias do comunismo que era o que o povo queria, mas tentando evitá-lo, recorrendo um bocado à Igreja Católica que temia o Comunismo por este ser fortemente ateu. Alguns teóricos dizem que o socialismo português foi formado por comunistas que foram rejeitados pelo partido comunista e que apenas se diferenciaram para serem eleitos.
Não sei exactamente quando, nem a sua extensão, mas sei que após o 25 de Abril, realizaram muitas nacionalizações e começaram cada vez mais a introduzir direitos para os trabalhadores e a aumentar os seus ordenados. Obviamente que os partidos de esquerda continuaram a vender mais direitos e riqueza que nunca existiu.
Como essa riqueza não existe, e não é possível dar direitos a uma pessoa sem tirar direitos a outra, nunca foi possível a nenhum governo resolver o problema de vez. Ao invés disso, foram manipulando a realidade mas numa perspectiva eleitoral.
O truque na realidade é muito simples, a grande maioria dos portugueses (80% ou mais) trabalha em empresas com uma dimensão muito reduzida, onde graças à reduzia dimensão da empresa não existem estruturas que permitam lidar com os empregados de forma adequada.
Nem especialistas em recursos humanos, nem psicologos organizacionais, nem advogados especialistas em código do trabalho, nem testemunhas suficientes para fazer prova em tribunal, nem departamentos para enfiar indesejáveis, nem outros postos ou instalações para separar colegas em conflito, etc.
Ou seja basta muitas vezes um e só um trabalhador para levar uma empresa à falência.
Normalmente o que sucede é um regime de abusos por parte dos empregados, em que geralmente têm um ordenado completamente dissociado daquilo que produzem, sendo que ou são os colegas que pagam o seu ordenado do seu trabalho ou é o próprio patrão que trabalha para lhe pagar o ordenado.
O resultado disto é muito simples, estas empresas apresentam um indice de rentabilidade muito baixo comparativamente com as grandes empresas que têm todos esses mecanimos de protecção, mas só empregam 20% ou menos dos trabalhadores.
Este fenómeno está amplamento estudado, mas nada se faz porque 80% dos trabalhadores estão em empresas onde eles têm mais direitos que os ditos patrões, os casos em que ocorrem as injustiças representam uma fracção menor dos trabalhores. E nessas empresas não há nada a fazer, porque mesmo como está a situação actualmente muitas delas já evitam instalar-se em Portugal por causa disso e recorrem fortemente ao trabalho temporário.
Faz sentido grandes empresas tecnológicas instalarem-se em Portugal graças a subsídios terem a grande maioria dos seus Engs subcontratados através de empresas de trabalho temporário? Claro que não, mas se não for assim, elas não vêm.
O grande problema é que ao longo de 30 anos, a educação falhou, e após mais de 30 anos a prometer direitos que não são possíveis, as pessoas estão à beira da ruputura, embora alguns especialistas achem que as pessoas talvez aguentem mais umas dezenas de anos. Mas o mais preocupante é que o nosso país não suporta os direitos actuais, ou se aumenta a riqueza ou se diminuem os direitos e esse é o problema.
E porque é que é problema? É que para aumentar a riqueza é preciso dinamizar a economia, e o melhor sítio para o fazer é junto das PMEs e para isso é preciso mudar o código do trabalho radicalmente, para um modelo em que o estado é uma grande empresa de trabalho temporário.
Porque alguns direitos são legítimos, mas são legítimos numa perspectiva de país, mas não numa perspectiva de uma empresa, porque certos direitos numa grande não causam mossa, mas numa pequena causam falência.
Mas mesmo para as pessoas é pior, e até elas sabem, pois preferem trabalhar em grandes empresas apesar dos abusos que estas praticam. Porque como as pequenas são muito vulneráveis e basta um trabalhador, por muito bom que seja fazer pouco do patrão, o risco de desemprego ou de falência e não levar indeminização é algo sempre muito assustador.
Por isso não só a desinformação nos levou até uma situação económica lamentável, como a desinformação nos impede de enfrentar a realidade e tomar as decisões necessárias. Mas existem eleições em disputa e há que disputar os lugares do poleiro.
27 abril 2009
Ilusionismo
O ilusionismo é um espectáculo legal que apenas não é fraude porque o ilusionista se farta de avisar que a magia não existe e que são apenas truques.
O motivo pelo qual funciona é que o nosso cérebro quer apenas respostas simples, não quer explicações complicadas, embora muitos sejam na verdade pequenos movimentos ou distracções que iludem o nosso cérebro, a verdade é que a grande maioria deles são mesmo muito elaborados.
Qualquer um de nós seria capaz de inventar possíveis explicações para a grande maioria dos truques, mas a verdade é que nos sentimos muito inseguros ou mesmo envergonhados em dizê-las alto, de aparentemente tão rebuscadas ou complexas. Pensamos sempre que a verdadeira deverá ser bem mais simples.
Mas a verdade, como pela Internet se encontra ou na série Segredos da Magia que passou na SIC, é que a grande maioria dos truques são efectivamente extremamente complexos e rebuscados, recorrendo a tudo, desde a ilusões ópticas, a máquinas complexas inventadas e fabricadas para o efeito, inúmeros auxiliares nos bastidores, dispositivos tecnológicos high-tech, etc.
No entanto, todos nos continuamos a deixar enganar, porquê? Porque queremos coisas simples. Queremos acreditar que existe uma solução simples mas que simplesmente não conseguimos encontrá-la. Mas mesmo sabendo que não é simples, continuamos à procura da simples, estúpido não é?
O problema desta falha do nosso cérebro é que não é só explorada comercialmente pelos ilusionistas. Na verdade é explorada por um grupo muito vasto da nossa sociedade, os sociopatas, que na realidade se baseiam precisamente neste princípio para levar as suas tramoias avante sem serem apanhados.
Como? Muito simples, elaboram planos extremamente complicados que passam por sangram ou utilizar pessoas para os seus fins, que poderão ser apenas ascensão laboral, política ou social, extorsão, roubo, tráfico de influências, sabotagem, etc.
Aproveitando este princípio aquilo que dizem é muito credível porque não só é extramente plausível, como é extramente simples, como tal o nosso cérebro agarra-se a essas verdades com unhas e dentes como se fossem mesmo verdade. Embora na grande maioria dos casos nem sequer tenham quaisquer factos a sustentar.
A minha história é precisamente uma história assim, muito complicada em que ninguém quer acreditar. De tudo o que me acusam sou culpado apenas de ter feito aquilo que sociopatas me obrigaram a fazer, quer por coação quer por chantagem. Porque na verdade eu bem sabia que as coisas que me obrigavam a fazer me estavam a lixar, mas não tinha escolha porque aceitei ajuda de quem jamais poderia ter aceitado ajuda.
E quando se cai nas garras de sociopatas, é muito complicado sair, as pessoas colocam-se todas do lado deles, por mais provas que se tenha de inocência, de valor, de mérito, de potencial, as pessoas viram-nos todas as costas, cospem-nos na cara, como se fosse-mos os maiores canalhas à face da terra.
Mas claro, os sociopatas reconhecem facilmente a assinatura uns dos outros como tal, percebem que se um anda a pairar em torno de uma pessoa, pessoas ou uma empresa é porque existe ali algo de interessante, mesmo que ninguém mais o assim perceba.
Percebem que existe ali algo de valor que o outro sociopata está a tentar extrair sem dar nas vistas, em termos de empresas normalmente a extratégia passa por levar a empresa à falência, mas de uma forma que ninguém dê valor nenhum, para que ninguém a queira comprar.
Por exemplo, no caso da minha empresa, um dos grupos de sociopatas que se infiltrou tratou de em primeiro lugar redireccionar todos os potenciais clientes para outras empresas, e como infelizmente tinham acesso aos clientes da empresa e me impediram de realizar contratos com os mesmos, conseguiram eficazmente sabotar-me a partir de dentro e por fora.
Uma vez com o contacto de um potencial cliente ou cliente a estratégia é simples, basta um telefonema para o potencial cliente ou cliente fornecendo uma mistura de informações falsas e verdadeiras que faça o cliente ter medo ou rangar-se e recuar. Nenhum cliente vai telefonar ao fornecedor a confrontá-lo seja com que acusações for, afasta-se e deixa de dar notícias.
Como me conseguiram cortar o acesso ao mercado pressionaram-me então para que fizesse trabalho de investigação, para que desenvolvesse algo que não existisse no mercado. Uma perfeita estupidez para uma empresa, uma vez que o mais importante é em primeiro lugar produzir trabalho comercial para financiar o futuro da empresa.
Como a estratégia consiste em descredibilizar completamente os alvos, obviamente que todas as pessoas que trabalhavam comigo foram fortemente atacadas, umas directamente outras através das famílias delas. Tudo serviu para me describilizar, mentiras, verdade, ninguém quis saber. As pessoas nunca tiveram coragem de me confrontar, só fui apanhando as coisas pouco a pouco e com base naquilo que às vezes as pessoas se iam descaindo.
Não se iludem aqueles que pensam que a ideia era que fosse trabalhar para uma empresa, que era para me obrigar e a arranjar um emprego como os outros, se assim fosse o dinheiro investido dificilmente teria retorno.
Mas na verdade não tinha grande escolha, com o acesso cortado ao mercado, sem ajuda nenhuma, completamente describilizado não tinha grande escolha senão enveredar por um caminho de investigação que me permitisse recuperar o meu bom nome e os clientes. Via-me obrigado a produzir algo que a concorrência não tivesse, algo que ao tê-lo mentiras/influências não fizessem diferença, porque teria algo único.
Grande erro, porque é um caminho muito complicado e os sociopatas não financiam ninguém, eles apenas fornecerem dinheiro para as pessoas se enforcarem, para que numa altura que ainda têm credibilidade não se liguem às pessoas certas, para que fiquem ali à sua mercê.
Como tal, à medida que os anos foram passando e o trabalho teimando em ser terminado, porque a investigação é mesmo assim, e sob stress ainda anda mais devagar. Fui ficando cada vez mais pobre, mais desacreditado, mais sem amigos, ou conhecidos, o computador mais recente volta e meia dá erros de memória, já é de 2003, o telemóvel colado a fita-cola de 2001 e os óculos riscadinhos devem ser ainda mais antigos.
A partir de certa altura as coisas tornaram-se muito complicadas, não porque não tivesse nada feito e nada pudesse fazer, mas porque ainda não tinha um produto que me permitisse fugir dessas influências negativas.
A título de exemplo, posso apontar vários ataques menores que tive, como promessas de mundos e fundos para colocar o meu trabalho opensource que passam por colocá-lo opensource primeiro. Ou promessas de ajuda que terminaram assim que tiveram acesso ao código. Ou promessas de clientes em troca de de 50% +1 do capital da empresa.
Mas confesso que a maior desilusão que tive foi quando me candidatei a um fundo da união europeia através da ADI, em que me gozaram durante todo o processo, o motivo oficial da rejeição foi que já exista um produto igual no mercado, mas recusaram-se a dizer qual.
Até ao Exmo Sr. Presidente da República me queixei, porque ele na altura andava a convidar os portugueses de sucesso mundo fora a virem para Portugal, e depois ele tem aquela atitude de querer fazer alguma coisa, mas no meu caso nada fez. Publicidade enganosa.
Houve várias pessoas com uma postura de pessoas de bem na nossa sociedade que podiam ter ajudado o projecto, nem que fosse apenas a ter justiça, mas nada fizeram. Tenho pena, não por mim, mas pelo projecto em si, cujo impacto era muito mais vasto e importante para o país que a grande maioria dos projectos que têm sido falados nos últimos anos.
Coincidência ou não, pouco tempo depois de rejeição oficial da ADI e ainda antes do recurso, aceitámos uma oferta de um empréstimo que tinha sido feito ainda antes de submetermos a candidatura. Como estávamos desesperados aceitámos e uns meses depois levá-mos aquilo a que simplesmente se poderia chamar uma tentativa de aquisição hostil.
Como o produto que pretendiam deitar as mãos, está protegido :), recuaram, mas ficou o elogío ao trabalho desenvolvido durante anos ao qual oficialmente ninguém dava valor e afinal...
Aquele ditado português quem desdenha quer comprar, muitas vezes é bem verdade, se eu sou um inútil, como se explica que tanta gente queira que eu coloque opensource, ou lhes passe uma cópia do código, ou uma tentativa hostil de aquisição?
O que me lixa com os gajos que querem que eu coloque opensource, que me tratam como seu eu fosse o mais asqueroso criminoso é que eles recusam-se a arranjar um modelo em que eu ganhe dinheiro, como se isso fosse criminosos. Quer dizer, eu andei aqui anos a trabalhar a fazer isto, e agora dou em troca de nada, e vocês que andaram a fazer outras coisas, foram pagos, compraram carros e casas. Vocês dão-me os vossos carros e as vossas casas? Claro que não.
Então porque é que eu é que tenho de dar aquilo que me deu trabalho a fazer? Vocês não dão nada. Dêm anos da vossa vida, força, eu não vos impeço, agora vocês têm o direito de me tratar como um criminoso por não o fazer?
E eu posso fazê-lo, meus caros? Há uns anos atrás talvez, mas agora com o cancro, tudo ficou muito diferente, as estatísticas optimistas dos médicos dizem uma coisa, mas bora lá a um banco ou a uma agência de crédito ver se eles concordam? Pois aí já ninguém alinha, porque sabem a verdade, mas para tentar aproveitar-se de um gajo com cancro, ninguém se poupa a esforços, vivam os abutres.
Mas reparem bem, eu já levei com tanta pancada e ainda continuo de pé a trabalhar, não sei quanto tempo de vida me resta, não tenho amigos, porque a amizade implica muita coisa que as pessoas hoje em dia nem sequer sabem o que é.
Nenhuns dos que se dizem meus amigos me vieram visitar uma única vez, apenas um me emprestou um computador durante uns meses, mas esse coitado, acho que ele prefere que eu agora o liberte da responsabilidade de ser meu amigo. As coisas estão complicadas com ele e agora ele cavalga mais livremente sem um peso como eu.
E porquê? Não é por eu não ser um amigo de verdade, mas é porque a minha pobreza e a minha descredibilização fizeram com que me colocassem de parte, é mais popular convidar amigos mais ricos, de sucesso, falhados, gajos sem futuro não tem interesse, faz-se de conta que não existem colocam-se de parte.
Mas não se iludam, a situação que eu estou a passar apenas é muito má porque afecta muito o meu sistema imunitário e isso é muito perigoso por causa do cancro, mas eu nem estou, nem nunca fui louco, apenas fui traído em massa por todas as pessoas em que confiava, e o mais giro é que algumas até estavam bem intencionadas.
Perguntam vocês porque é que ao longo destes anos todos, nunca desisti? A resposta é porque tinha muito a perder, perdia de uma vez por todas a possibilidade de recuperar o meu nome. E quanto mais fundo ia, mais a perder tinha.
Em termos de mercado o meu currículo é demasiado off-road, nada das tecnologias típicas que os marketers enfiaram goelas a baixo dos clientes e que estes querem. As pessoas que respeitava no mercado olham-me como se eu não tivesse valor nenhum.
A verdade é que em Portugal sou tratado pior que um criminoso, um toxicodependente ou qualquer outra pessoa, embora ainda continuem a escassear as justificações oficiais, a inveja é uma grande justificação, mas será que justifica tudo?
O meu grande erro foi ter ficado em Portugal, porque o tipo de projecto que tinha em mãos podia ter dado a ganhar dinheiro a muita gente, e noutros países isso está em primeiro lugar. Em Portugal, as pessoas juntam-se para deitar a baixo e não para ganhar dinheiro.
Mas enfim, também as coisas foram feitas para que tivessem acontecido assim, quem me segurou cá sabe muito bem o trabalho e o que lhe custou o fazer.
Por isso compreendo muito bem os sem abrigo e os motivos que os levam a enveredar por aquelas vidas, claro que não têm todos os mesmo motivos, mas pessoas como eu, não é que sejamos más pessoas ou inadaptados na sociedade, é porque simplesmente às tantas perdemos a esperança, não em conseguirmos, mas em valer a pena, em servir para alguma coisa.
Porque entramos numa espiral de autodestruição alimentada por coisas simples em que a única saída é bater com os pés bem no fundo com uma credibilidade avassaladora e uma força de vontade indomável e isso só acontece quando estamos convictos de que vale a pena. Porque até lá o caminho é sombrio e não somos mais do que sombras para a sociedade, por isso é que tantos quando confrontados pelos mesmos obstáculos preferem o suícidio ou a toxicodependência.
Eu ao menos escolhi lutar até ao fim.
O motivo pelo qual funciona é que o nosso cérebro quer apenas respostas simples, não quer explicações complicadas, embora muitos sejam na verdade pequenos movimentos ou distracções que iludem o nosso cérebro, a verdade é que a grande maioria deles são mesmo muito elaborados.
Qualquer um de nós seria capaz de inventar possíveis explicações para a grande maioria dos truques, mas a verdade é que nos sentimos muito inseguros ou mesmo envergonhados em dizê-las alto, de aparentemente tão rebuscadas ou complexas. Pensamos sempre que a verdadeira deverá ser bem mais simples.
Mas a verdade, como pela Internet se encontra ou na série Segredos da Magia que passou na SIC, é que a grande maioria dos truques são efectivamente extremamente complexos e rebuscados, recorrendo a tudo, desde a ilusões ópticas, a máquinas complexas inventadas e fabricadas para o efeito, inúmeros auxiliares nos bastidores, dispositivos tecnológicos high-tech, etc.
No entanto, todos nos continuamos a deixar enganar, porquê? Porque queremos coisas simples. Queremos acreditar que existe uma solução simples mas que simplesmente não conseguimos encontrá-la. Mas mesmo sabendo que não é simples, continuamos à procura da simples, estúpido não é?
O problema desta falha do nosso cérebro é que não é só explorada comercialmente pelos ilusionistas. Na verdade é explorada por um grupo muito vasto da nossa sociedade, os sociopatas, que na realidade se baseiam precisamente neste princípio para levar as suas tramoias avante sem serem apanhados.
Como? Muito simples, elaboram planos extremamente complicados que passam por sangram ou utilizar pessoas para os seus fins, que poderão ser apenas ascensão laboral, política ou social, extorsão, roubo, tráfico de influências, sabotagem, etc.
Aproveitando este princípio aquilo que dizem é muito credível porque não só é extramente plausível, como é extramente simples, como tal o nosso cérebro agarra-se a essas verdades com unhas e dentes como se fossem mesmo verdade. Embora na grande maioria dos casos nem sequer tenham quaisquer factos a sustentar.
A minha história é precisamente uma história assim, muito complicada em que ninguém quer acreditar. De tudo o que me acusam sou culpado apenas de ter feito aquilo que sociopatas me obrigaram a fazer, quer por coação quer por chantagem. Porque na verdade eu bem sabia que as coisas que me obrigavam a fazer me estavam a lixar, mas não tinha escolha porque aceitei ajuda de quem jamais poderia ter aceitado ajuda.
E quando se cai nas garras de sociopatas, é muito complicado sair, as pessoas colocam-se todas do lado deles, por mais provas que se tenha de inocência, de valor, de mérito, de potencial, as pessoas viram-nos todas as costas, cospem-nos na cara, como se fosse-mos os maiores canalhas à face da terra.
Mas claro, os sociopatas reconhecem facilmente a assinatura uns dos outros como tal, percebem que se um anda a pairar em torno de uma pessoa, pessoas ou uma empresa é porque existe ali algo de interessante, mesmo que ninguém mais o assim perceba.
Percebem que existe ali algo de valor que o outro sociopata está a tentar extrair sem dar nas vistas, em termos de empresas normalmente a extratégia passa por levar a empresa à falência, mas de uma forma que ninguém dê valor nenhum, para que ninguém a queira comprar.
Por exemplo, no caso da minha empresa, um dos grupos de sociopatas que se infiltrou tratou de em primeiro lugar redireccionar todos os potenciais clientes para outras empresas, e como infelizmente tinham acesso aos clientes da empresa e me impediram de realizar contratos com os mesmos, conseguiram eficazmente sabotar-me a partir de dentro e por fora.
Uma vez com o contacto de um potencial cliente ou cliente a estratégia é simples, basta um telefonema para o potencial cliente ou cliente fornecendo uma mistura de informações falsas e verdadeiras que faça o cliente ter medo ou rangar-se e recuar. Nenhum cliente vai telefonar ao fornecedor a confrontá-lo seja com que acusações for, afasta-se e deixa de dar notícias.
Como me conseguiram cortar o acesso ao mercado pressionaram-me então para que fizesse trabalho de investigação, para que desenvolvesse algo que não existisse no mercado. Uma perfeita estupidez para uma empresa, uma vez que o mais importante é em primeiro lugar produzir trabalho comercial para financiar o futuro da empresa.
Como a estratégia consiste em descredibilizar completamente os alvos, obviamente que todas as pessoas que trabalhavam comigo foram fortemente atacadas, umas directamente outras através das famílias delas. Tudo serviu para me describilizar, mentiras, verdade, ninguém quis saber. As pessoas nunca tiveram coragem de me confrontar, só fui apanhando as coisas pouco a pouco e com base naquilo que às vezes as pessoas se iam descaindo.
Não se iludem aqueles que pensam que a ideia era que fosse trabalhar para uma empresa, que era para me obrigar e a arranjar um emprego como os outros, se assim fosse o dinheiro investido dificilmente teria retorno.
Mas na verdade não tinha grande escolha, com o acesso cortado ao mercado, sem ajuda nenhuma, completamente describilizado não tinha grande escolha senão enveredar por um caminho de investigação que me permitisse recuperar o meu bom nome e os clientes. Via-me obrigado a produzir algo que a concorrência não tivesse, algo que ao tê-lo mentiras/influências não fizessem diferença, porque teria algo único.
Grande erro, porque é um caminho muito complicado e os sociopatas não financiam ninguém, eles apenas fornecerem dinheiro para as pessoas se enforcarem, para que numa altura que ainda têm credibilidade não se liguem às pessoas certas, para que fiquem ali à sua mercê.
Como tal, à medida que os anos foram passando e o trabalho teimando em ser terminado, porque a investigação é mesmo assim, e sob stress ainda anda mais devagar. Fui ficando cada vez mais pobre, mais desacreditado, mais sem amigos, ou conhecidos, o computador mais recente volta e meia dá erros de memória, já é de 2003, o telemóvel colado a fita-cola de 2001 e os óculos riscadinhos devem ser ainda mais antigos.
A partir de certa altura as coisas tornaram-se muito complicadas, não porque não tivesse nada feito e nada pudesse fazer, mas porque ainda não tinha um produto que me permitisse fugir dessas influências negativas.
A título de exemplo, posso apontar vários ataques menores que tive, como promessas de mundos e fundos para colocar o meu trabalho opensource que passam por colocá-lo opensource primeiro. Ou promessas de ajuda que terminaram assim que tiveram acesso ao código. Ou promessas de clientes em troca de de 50% +1 do capital da empresa.
Mas confesso que a maior desilusão que tive foi quando me candidatei a um fundo da união europeia através da ADI, em que me gozaram durante todo o processo, o motivo oficial da rejeição foi que já exista um produto igual no mercado, mas recusaram-se a dizer qual.
Até ao Exmo Sr. Presidente da República me queixei, porque ele na altura andava a convidar os portugueses de sucesso mundo fora a virem para Portugal, e depois ele tem aquela atitude de querer fazer alguma coisa, mas no meu caso nada fez. Publicidade enganosa.
Houve várias pessoas com uma postura de pessoas de bem na nossa sociedade que podiam ter ajudado o projecto, nem que fosse apenas a ter justiça, mas nada fizeram. Tenho pena, não por mim, mas pelo projecto em si, cujo impacto era muito mais vasto e importante para o país que a grande maioria dos projectos que têm sido falados nos últimos anos.
Coincidência ou não, pouco tempo depois de rejeição oficial da ADI e ainda antes do recurso, aceitámos uma oferta de um empréstimo que tinha sido feito ainda antes de submetermos a candidatura. Como estávamos desesperados aceitámos e uns meses depois levá-mos aquilo a que simplesmente se poderia chamar uma tentativa de aquisição hostil.
Como o produto que pretendiam deitar as mãos, está protegido :), recuaram, mas ficou o elogío ao trabalho desenvolvido durante anos ao qual oficialmente ninguém dava valor e afinal...
Aquele ditado português quem desdenha quer comprar, muitas vezes é bem verdade, se eu sou um inútil, como se explica que tanta gente queira que eu coloque opensource, ou lhes passe uma cópia do código, ou uma tentativa hostil de aquisição?
O que me lixa com os gajos que querem que eu coloque opensource, que me tratam como seu eu fosse o mais asqueroso criminoso é que eles recusam-se a arranjar um modelo em que eu ganhe dinheiro, como se isso fosse criminosos. Quer dizer, eu andei aqui anos a trabalhar a fazer isto, e agora dou em troca de nada, e vocês que andaram a fazer outras coisas, foram pagos, compraram carros e casas. Vocês dão-me os vossos carros e as vossas casas? Claro que não.
Então porque é que eu é que tenho de dar aquilo que me deu trabalho a fazer? Vocês não dão nada. Dêm anos da vossa vida, força, eu não vos impeço, agora vocês têm o direito de me tratar como um criminoso por não o fazer?
E eu posso fazê-lo, meus caros? Há uns anos atrás talvez, mas agora com o cancro, tudo ficou muito diferente, as estatísticas optimistas dos médicos dizem uma coisa, mas bora lá a um banco ou a uma agência de crédito ver se eles concordam? Pois aí já ninguém alinha, porque sabem a verdade, mas para tentar aproveitar-se de um gajo com cancro, ninguém se poupa a esforços, vivam os abutres.
Mas reparem bem, eu já levei com tanta pancada e ainda continuo de pé a trabalhar, não sei quanto tempo de vida me resta, não tenho amigos, porque a amizade implica muita coisa que as pessoas hoje em dia nem sequer sabem o que é.
Nenhuns dos que se dizem meus amigos me vieram visitar uma única vez, apenas um me emprestou um computador durante uns meses, mas esse coitado, acho que ele prefere que eu agora o liberte da responsabilidade de ser meu amigo. As coisas estão complicadas com ele e agora ele cavalga mais livremente sem um peso como eu.
E porquê? Não é por eu não ser um amigo de verdade, mas é porque a minha pobreza e a minha descredibilização fizeram com que me colocassem de parte, é mais popular convidar amigos mais ricos, de sucesso, falhados, gajos sem futuro não tem interesse, faz-se de conta que não existem colocam-se de parte.
Mas não se iludam, a situação que eu estou a passar apenas é muito má porque afecta muito o meu sistema imunitário e isso é muito perigoso por causa do cancro, mas eu nem estou, nem nunca fui louco, apenas fui traído em massa por todas as pessoas em que confiava, e o mais giro é que algumas até estavam bem intencionadas.
Perguntam vocês porque é que ao longo destes anos todos, nunca desisti? A resposta é porque tinha muito a perder, perdia de uma vez por todas a possibilidade de recuperar o meu nome. E quanto mais fundo ia, mais a perder tinha.
Em termos de mercado o meu currículo é demasiado off-road, nada das tecnologias típicas que os marketers enfiaram goelas a baixo dos clientes e que estes querem. As pessoas que respeitava no mercado olham-me como se eu não tivesse valor nenhum.
A verdade é que em Portugal sou tratado pior que um criminoso, um toxicodependente ou qualquer outra pessoa, embora ainda continuem a escassear as justificações oficiais, a inveja é uma grande justificação, mas será que justifica tudo?
O meu grande erro foi ter ficado em Portugal, porque o tipo de projecto que tinha em mãos podia ter dado a ganhar dinheiro a muita gente, e noutros países isso está em primeiro lugar. Em Portugal, as pessoas juntam-se para deitar a baixo e não para ganhar dinheiro.
Mas enfim, também as coisas foram feitas para que tivessem acontecido assim, quem me segurou cá sabe muito bem o trabalho e o que lhe custou o fazer.
Por isso compreendo muito bem os sem abrigo e os motivos que os levam a enveredar por aquelas vidas, claro que não têm todos os mesmo motivos, mas pessoas como eu, não é que sejamos más pessoas ou inadaptados na sociedade, é porque simplesmente às tantas perdemos a esperança, não em conseguirmos, mas em valer a pena, em servir para alguma coisa.
Porque entramos numa espiral de autodestruição alimentada por coisas simples em que a única saída é bater com os pés bem no fundo com uma credibilidade avassaladora e uma força de vontade indomável e isso só acontece quando estamos convictos de que vale a pena. Porque até lá o caminho é sombrio e não somos mais do que sombras para a sociedade, por isso é que tantos quando confrontados pelos mesmos obstáculos preferem o suícidio ou a toxicodependência.
Eu ao menos escolhi lutar até ao fim.
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